Granadas sobre Ellwood
Na noite de 23 de fevereiro de 1942, quando o presidente Roosevelt começava uma de suas conversas ao pé da lareira no rádio, o submarino japonês I-17 emergiu diante de Ellwood, um campo de petróleo e refinaria no litoral, a umas doze milhas a oeste de Santa Barbara. Seu canhão de convés disparou por cerca de vinte minutos contra os tanques e os píeres. A história oficial das Forças Aéreas conta treze granadas; historiadores navais que trabalham com registros japoneses contam dezessete; sobreviventes do submarino interrogados em 1943 falaram em vinte e quatro ou vinte e cinco. O estrago, uma passarela e algum equipamento de bombeamento, não passou de algumas centenas de dólares, mas foram as primeiras granadas inimigas a cair no território continental dos Estados Unidos desde a Guerra de 1812. A história do Exército observa que os disparos pareciam pontuar o aviso do presidente de que os vastos oceanos tinham se tornado “campos de batalha sem fim”. A mesma história repassa a alegação de que nipo-americanos teriam previsto uma demonstração durante o discurso e profetizado um ataque a Los Angeles na noite seguinte. A Califórnia já estava com os nervos à flor da pele. Quatro dias antes, Roosevelt assinara a Ordem Executiva 9066, a base legal sob a qual os nipo-americanos seriam removidos da Costa Oeste para campos, e desde dezembro havia holofotes e localizadores acústicos instalados na Pershing Square, no centro da cidade.

Fontes: The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286IJN Submarine I-17: Tabular Record of MovementDid Enemy Aircraft Threaten Los Angeles During World War II?Executive Order 9066: Resulting in Japanese-American Incarceration (1942)
Nas próximas dez horas
Em 24 de fevereiro, a inteligência naval avisou que se podia esperar um ataque nas próximas dez horas. Naquela noite, o centro de informações do Exército recebeu relatos de sinalizadores e luzes piscando perto de fábricas de defesa, e um alerta dado às 19h18 durou até as 22h23. Os jornais foram autorizados a anunciar que fora decretado um rigoroso estado de prontidão. A defesa aérea do sul da Califórnia era mais frágil do que o público sabia. Os caças eram poucos, o comandante da Quarta Força Aérea vinha advertindo repetidamente que a costa estava exposta, e os planejadores de Washington avaliaram no início de fevereiro que havia “pouca probabilidade” de as unidades aéreas da Costa Oeste conseguirem defender alvos vitais contra um ataque determinado de porta-aviões. A maior parte da proteção em terra cabia à 37th Coast Artillery Brigade (Antiaircraft), cujos canhões de 3 polegadas e de 90 milímetros, canhões automáticos de 40 milímetros, metralhadoras e holofotes guardavam as fábricas de aviões e o porto. O coronel John G. Murphy, oficial de artilharia antiaérea do Quarto Exército, escreveu mais tarde que as tropas antiaéreas da costa estavam sempre prontas para a ação, “ainda que às vezes prontas demais, ou talvez até crédulas”.

Fontes: The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286Activities of the Ninth Army AAA (seção “L.A. ‘Attacked’”)California in World War II: The Battle of Los Angeles
Um alvo a 120 milhas
Na madrugada do dia 25, os radares captaram um alvo não identificado 120 milhas a oeste de Los Angeles. As baterias antiaéreas foram alertadas às 2h15 e, poucos minutos depois, postas em Alerta Verde, prontas para disparar. As Forças Aéreas mantiveram seus caças no chão, esperando para ver o tamanho do ataque e para onde ia. Os radares acompanharam o alvo até poucas milhas da costa, e às 2h21 o controlador regional ordenou o blecaute. As sirenes uivaram por toda a bacia às 2h25. Segundo a história do Exército, o alvo de radar então pareceu sumir, mas o centro de informações foi “inundado de relatos de ‘aviões inimigos’”. Às 2h43 foram relatados aviões perto de Long Beach e, minutos depois, um coronel da artilharia de costa informou “uns 25 aviões a 12.000 pés” sobre Los Angeles. A noite estava limpa. Uma lua crescente, cheia em cerca de três quartos, pendia baixa no oeste; pelo horário de guerra que os americanos tinham adotado naquele mês, ela se poria por volta das 3h30.
Fontes: The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286Los Angeles Defense Guns Blaze Away: City Gets Air Raid Scare As Unidentified Plane Crosses HeavensMysteries of the Skies: UFOs in Perspective, capítulo 6, “The Battle of Los Angeles”Activities of the Ninth Army AAA (seção “L.A. ‘Attacked’”)The Battle of Los Angeles (episódio 171)
Como um vulcão
Às 3h06, registra a história do Exército, “um balão carregando um sinalizador vermelho foi visto sobre Santa Monica e quatro baterias de artilharia antiaérea abriram fogo, e então ‘o ar sobre Los Angeles entrou em erupção como um vulcão’”. O general George C. Marshall, chefe do Estado-Maior do Exército, situou os disparos entre 3h12 e 4h15 em seu relatório ao presidente no dia seguinte. Murphy dormia num hotel, em visita de inspeção à brigada, quando os canhões o acordaram. Subiu ao terraço. Era, escreveu em 1949, “uma bela noite de luar, mas a magnificência da lua foi apequenada pelo clarão brilhante dos de noventa e dos de três polegadas cuspindo fogo para os céus, pelo clarão e o barulho das granadas explodindo, pelo delicado rendilhado no céu dos de quarenta milímetros e dos calibre cinquenta, vermelhos e verdes, descrevendo arcos preguiçosos pelo céu, e pela brilhante incandescência dos holofotes sondando os céus, para cá e para lá”. Chamou aquilo de um grande espetáculo. “Mas contra o que estavam atirando?” Os canhões silenciaram e então, enquanto ele se perguntava como achar o quartel-general da brigada no blecaute, “o inferno se soltou de novo”. Frank Frawley, da Associated Press, ouviu o “poom, poom, poom” dos canhões fazendo as janelas tremerem ao longo das praias, com explosões que se espalhavam “mais ou menos como os rojões do Quatro de Julho se espalham no céu”.
Fontes: The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286Memorandum for the President [sobre o alarme aéreo em Los Angeles]Activities of the Ninth Army AAA (seção “L.A. ‘Attacked’”)Los Angeles Defense Guns Blaze Away: City Gets Air Raid Scare As Unidentified Plane Crosses Heavens
O cubo de uma roda de bicicleta
Muita gente nunca chegou a ver avião nenhum. O que viam era um ponto de luz onde os fachos dos holofotes se encontravam. A AP noticiou que, minutos depois das sirenes, as pessoas “viram um objeto que se movia devagar, que muitos acharam ser um dirigível, preso numa mancha de luz intensamente brilhante onde dezenas de holofotes convergiam”. Marvin Miles, do Los Angeles Times, viu o alvo rastejar pelo céu “preso no centro das luzes como o cubo de uma roda de bicicleta cercado de raios reluzentes” e escreveu que ele “avançava centímetro a centímetro lá no alto, ladeado pelas explosões vermelho-cereja”. Ouviu vizinhos discutindo: “Não, é um dirigível. Tem que ser, porque está indo muito devagar”, e “Teste coisa nenhuma! Ninguém joga tanto metal no ar a não ser que esteja decidido a derrubar alguma coisa!” Ernie Pyle, o correspondente de guerra, assistiu a umas vinte milhas de distância enquanto os fachos “convergiam numa grande mancha azul no céu” e a seguravam “como uma sanguessuga que não quisesse soltar”. Ele não via nada na mancha, mas as granadas explodiam em volta dela, e “de vez em quando uma parecia explodir bem dentro da mancha”. A rádio CBS descreveu um objeto que alguns achavam ser um dirigível, derivando lentamente pela costa a partir de Santa Monica e desaparecendo ao sul de Long Beach.
Fontes: Los Angeles Defense Guns Blaze Away: City Gets Air Raid Scare As Unidentified Plane Crosses HeavensBy the Way With Bill HenryAnother Good Story Ruined: Saucers Over L.A.! — Part 3The Battle of Los Angeles UFO storyDid Enemy Aircraft Threaten Los Angeles During World War II?
Um punhado de balões
Bill Henry, colunista do Times, assistiu de casa, “perto o bastante para ver com facilidade, longe o bastante para estar bem seguro”. Sua coluna da manhã seguinte se tornou, décadas depois, uma das provas mais citadas do caso. “Eu estava longe o bastante para ver ‘um objeto’ sem conseguir identificá-lo com precisão”, escreveu, e apostaria “os trocados que tenho que houve um bom número de acertos diretos no ‘objeto’”. O tiroteio, achava ele, era melhor do que qualquer fogo antiaéreo noturno que tinha visto no exterior. As versões ufológicas param por aí. Henry continuou. Não tinha visto avião nenhum, “nem nosso nem estrangeiro”, e não acreditava que o objeto nos holofotes fosse um, já que “aviões, sobretudo aviões inimigos, não se movem tão devagar nem tão constantes quando estão sob fogo”. E com o que aquilo se parecia para ele? “Bem, a mim pareceu um punhado de balões simplesmente flutuando no forte vento da noite — um alvo ideal.”
Fontes: By the Way With Bill HenryThe Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286The Most Incredible Mass Sighting Of All? The Battle Of Los Angeles
Um avião ou duzentos
Todos os outros viram algo diferente. O coronel da artilharia de costa viu vinte e cinco aviões; às 3h10, um sargento da 214th Coast Artillery viu cinco; o comandante interino da brigada, o coronel Henry C. Davis, achou por alguns minutos que via de dez a quinze sobre Inglewood, antes de concluir que era fumaça das explosões das granadas. Um certo capitão Cohen, da 214th, disse ter identificado o alvo como um balão meteorológico quando os holofotes o iluminaram. Civis contaram à brigada de sete ou oito aviões voando alto e de “um objeto grande, grande demais para ser um avião”. Alguns andavam de um lado para o outro para testar se o objeto estava mesmo parado. Quando Ray Zeman, do Times, perguntou a dois policiais de Inglewood quantos aviões tinham visto, um respondeu: “Ah, uns 150 ou 200, acho. Vieram em grandes nuvens escuras.” Na delegacia, uma carcereira lhe disse que tinha contado sete. O chefe de polícia de Long Beach, J. H. McClelland, assistiu do alto da prefeitura: “Pessoalmente, não vi avião nenhum. Mas homens mais jovens que estavam comigo disseram que viam.” Minard Fawcett, de Redondo Beach, e sua mulher tinham certeza de ter visto uns quinze aviões presos no cone de luz; “depois concluímos que as nuvens de fumaça nos tinham confundido”. O resumo da história do Exército: “enxames” de aviões ou balões, “em número de um a várias centenas”, a velocidades de “muito lenta” a mais de 200 milhas por hora.
Fontes: Mysteries of the Skies: UFOs in Perspective, capítulo 6, “The Battle of Los Angeles”The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286Did Enemy Aircraft Threaten Los Angeles During World War II?The Battle of Los Angeles UFO story
Amanhecer sobre uma cidade às escuras
O fim do alerta soou às 7h21. A noite não deixou crateras de bombas nem destroços, embora houvesse relatos de que quatro aviões inimigos tinham sido abatidos e de que um caíra em chamas num cruzamento de Hollywood. O que caiu sobre Los Angeles foi a sua própria artilharia. Estilhaços e granadas que não explodiram furaram telhados, ruas e carros; uma atravessou uma cama que uma mulher e uma menina tinham deixado momentos antes para ver o espetáculo. O Times contou cinco mortes atribuídas ao blecaute, “três em acidentes de trânsito, duas vítimas de ataques cardíacos”. George P. Weil, de 36 anos, guarda da defesa antiaérea, sofreu um ataque cardíaco e morreu em casa. Henry B. Ayers, de 60, que dirigia um carro de munição da Guarda Estadual em Hollywood, “tombou no assento e morreu de ataque cardíaco”. Zeulah Klein, de Arcadia, morreu quando o carro que o marido dirigia bateu num caminhão; um sargento da polícia de Long Beach, Engebert Larson, morreu numa colisão frontal a caminho do serviço, e um pedestre, Jesus Alferez, foi atropelado e morto perto da Universidade do Sul da Califórnia. Incontáveis milhares de moradores, noticiou o Times, concordavam que, fosse qual fosse o alarme, tinha sido “um grande espetáculo” e “valeu bem a pena perder umas horas de sono”.

Fontes: Los Angeles Defense Guns Blaze Away: City Gets Air Raid Scare As Unidentified Plane Crosses HeavensBy the Way With Bill HenryThe Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286Did Enemy Aircraft Threaten Los Angeles During World War II?
Sinais no escuro
A caçada a um inimigo em terra começou antes de os canhões pararem. Guardas da defesa antiaérea e moradores relataram luzes piscando em telhados e sinalizadores caindo nas praias e bem para o interior, alguns até as 6h, e a polícia de alguns distritos disse estar convencida de que japoneses tinham tentado guiar os aviões invasores com sinalizadores vermelhos, verdes e brancos. As contagens de prisões divergem. A AP noticiou oito japoneses detidos e depois soltos, depois que o Exército disse que as luzes piscando eram “sem dúvida” balas traçantes de metralhadoras pesadas. O Times noticiou trinta pessoas presas durante a noite, vinte delas japonesas, e quinze japoneses presos por delegados do xerife, alguns acusados de tentar guiar os aviões com sinais, entre eles três membros da família Kunisaki e Tokushiki Okuda, todos do mesmo endereço na Buel Street. A polícia municipal de Venice deteve dois homens e uma mulher por supostamente sinalizarem com lanternas. A mesma edição citou uma mulher que exigia o internamento: cada hora em que uma única pessoa japonesa ficasse em liberdade no estado, disse ela, era “uma hora de que poderíamos nos arrepender tragicamente”. A remoção forçada dos nipo-americanos das zonas militares costeiras começou poucas semanas depois.

Fontes: Los Angeles Defense Guns Blaze Away: City Gets Air Raid Scare As Unidentified Plane Crosses HeavensBy the Way With Bill HenryExecutive Order 9066: Resulting in Japanese-American Incarceration (1942)
Só um alarme falso
À tarde, as Forças Armadas já se contradiziam. Em Washington, o secretário da Marinha, Frank Knox, disse aos repórteres que tinha sido “só um alarme falso”. “Não houve aviões sobre Los Angeles na noite passada”, afirmou, “pelo menos é o que entendemos. Nenhum foi encontrado, e foi feito um reconhecimento muito amplo.” A AP noticiou que Knox achava que os relatos de atividade inimiga talvez se devessem em grande parte a “nervos à flor da pele”. Ele também disse que indústrias vitais da costa talvez tivessem de ser transferidas para o interior. O Western Defense Command disse apenas que nenhuma bomba fora lançada, nenhum avião abatido e que “houve uma quantidade considerável de fogo antiaéreo”. Às 15h45, o quartel-general do Quarto Exército divulgou uma única frase: “As aeronaves que causaram o blecaute na área de Los Angeles por várias horas esta manhã não foram identificadas.” Uma fonte oficial disse à AP que caças do Exército tinham decolado assim que o sinal foi dado; outra disse que tinham ficado no chão para escapar dos próprios canhões. O Times respondeu a Knox num editorial de primeira página: “Os nervos de quem, sr. Knox? Do público ou do Exército?”
Fontes: Los Angeles Defense Guns Blaze Away: City Gets Air Raid Scare As Unidentified Plane Crosses HeavensBy the Way With Bill HenryThe Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286
Até quinze aviões
Em 26 de fevereiro, Marshall enviou a Roosevelt o que o GHQ sabia “neste momento”. “Aviões não identificados, que não eram aviões do Exército nem da Marinha americanos, provavelmente estiveram sobre Los Angeles e foram alvejados por elementos da 37th CA Brigade (AA) entre 3h12 e 4h15. Essas unidades gastaram 1430 cartuchos de munição.” Até quinze aviões poderiam estar envolvidos, voando a velocidades “oficialmente relatadas como de ‘muito lenta’ a até 200 MPH” e a altitudes de 9.000 a 18.000 pés. Nenhuma bomba lançada, nenhum soldado ferido, nenhum avião abatido, nenhum avião americano em ação. Se eram aviões, raciocinou Marshall, “podem ter vindo de fontes comerciais, operados por agentes inimigos com o propósito de espalhar o alarme, revelar a localização das posições antiaéreas e retardar a produção por meio do blecaute”. Roosevelt escreveu no mesmo dia a seu secretário da Guerra, Henry Stimson, perguntando quem era responsável pelo sistema de alarme aéreo e insistindo que todo comentário sobre alarmes fosse feito “exclusivamente pelas autoridades competentes do Departamento responsável”; escrevia, disse, “à luz dos dois alarmes da noite passada”. Stimson leu o memorando de Marshall quase palavra por palavra para a imprensa e acrescentou: “talvez seja melhor estar alerta demais do que não estar alerta o bastante. De qualquer forma, lá eles estavam alertas.” Stimson também levantou a ideia de aviões leves lançados de submarinos japoneses, acrescenta a história do Exército; àquela altura, os comandantes locais, depois de um dia de depoimentos, tinham se fixado em um a cinco aviões.

Fontes: Memorandum for the President [sobre o alarme aéreo em Los Angeles]Bilhete ao secretário da Guerra (“Dear Harry”) sobre alarmes aéreosMystery Planes Fly Over Los AngelesKnox Assailed on ‘False Alarm’; transcrição taquigráfica do memorando de Marshall lido por StimsonThe Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286
Receita para o nervosismo
A briga pública durou uma semana. Wendell Willkie, o derrotado candidato republicano à presidência, disse aos repórteres ao chegar a Los Angeles que as declarações contraditórias mostravam “a mesma falta de coordenação e confusão que trouxe o desastre de Pearl Harbor”, e disse à sua plateia naquela noite que, num ataque aéreo de verdade, “vocês não vão precisar discutir — simplesmente vão saber”. O deputado Leland Ford, de Santa Monica, perguntou se o incidente tinha sido “um ataque de treino, ou um ataque para assustar 2.000.000 de pessoas, ou um ataque por identificação equivocada, ou um ataque para tirar do sul da Califórnia suas indústrias de guerra”, e o Times noticiou pedidos de uma investigação do Congresso e de uma varredura do sul da Califórnia em busca de pistas de pouso secretas. O Washington Post chamou o episódio de “receita para o nervosismo” e observou que a teoria dos aviões comerciais explicava “tudo, menos de onde vieram os aviões, para onde iam e por que nenhum avião americano foi mandado persegui-los”. O New York Times achou o caso mais inacreditável quanto mais o estudava: se as baterias tinham atirado no nada, era “sinal de incompetência cara e de nervosismo”; se em aviões de verdade, “por que foram completamente ineficazes?”. Os historiadores oficiais admitiram mais tarde que uma resposta franca teria exposto o quanto as defesas aéreas do país ainda eram fracas.
Fontes: Mystery Planes Fly Over Los AngelesKnox Assailed on ‘False Alarm’; transcrição taquigráfica do memorando de Marshall lido por StimsonThe Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286
O balão que começou todo o tiroteio
A portas fechadas, o Exército já tinha encontrado sua resposta. O major-general Jacob Fickel e o coronel Samuel Kepner vieram de avião de San Francisco e, com Murphy, formaram uma junta que ouviu cerca de sessenta testemunhas, civis e homens do Exército, da Marinha e das Forças Aéreas. Como Murphy recordou, “mais ou menos metade das testemunhas tinha certeza de ter visto aviões no céu. Um aviador descreveu vividamente 10 aviões em formação em V. A outra metade não viu nada”. Num diretor de tiro, escreveu ele, “o operador de elevação … olhando por sua luneta viu muitos aviões. O operador de azimute, olhando por uma luneta paralela no mesmo instrumento, não viu avião nenhum”. A junta concluiu que os disparos tinham sido ordenados por um jovem controlador das Forças Aéreas na sala de operações do comando de caças que, ao ouvir o relato de um balão, “imaginou um zepelim alemão ou japonês” e mandou os canhões atirarem, embora não tivesse autoridade para isso. “Um dos regimentos antiaéreos … soltou um balão meteorológico por volta da 1h00. Foi esse o balão que começou todo o tiroteio!” O horário dele não bate com a cronologia do próprio Exército, segundo a qual os canhões abriram fogo duas horas depois. Quando as coisas se acalmaram, outro regimento soltou seu próprio balão meteorológico “e o inferno se soltou de novo”. Os dois balões, como Murphy lembrava, “flutuaram para longe, majestosos e intactos”. Pelas contas de Murphy, os artilheiros tinham disparado mais cartuchos do que lhes seria permitido em dez anos de tiro ao alvo em tempo de paz. Lore e Deneault, com base na história do 4th Antiaircraft Command, acrescentam que um oficial que viu um balão por volta das 3h descobriu que o laboratório meteorológico tinha soltado um, e ordenou que não se atirasse.
Fontes: Activities of the Ninth Army AAA (seção “L.A. ‘Attacked’”)Mysteries of the Skies: UFOs in Perspective, capítulo 6, “The Battle of Los Angeles”The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286
Um mito, diz Tóquio
A dúvida persistiu durante a guerra. Em 28 de outubro de 1945, a Quarta Força Aérea, em San Francisco, disse que aviões, possivelmente japoneses, tinham estado no céu naquela noite, talvez lançados de submarinos perto da costa. Em 1.º de novembro, um porta-voz da Marinha japonesa disse à Associated Press em Tóquio que “a Batalha de Los Angeles foi um mito; os japoneses não mandaram aviões sobre aquela cidade na noite de 24 para 25 de fevereiro de 1942”. A ideia não era absurda. Os historiadores do Exército observam que o I-17 normalmente levava um hidroavião e que aviões lançados de submarinos de fato sobrevoaram mais tarde o noroeste do Pacífico, embora Bill Yenne escreva que, nessa patrulha, o submarino levava combustível extra em vez de avião. Mas a história oficial das Forças Aéreas, publicada em 1948, concluiu que “balões meteorológicos — que se sabe terem sido soltos sobre Los Angeles — bem podem ter causado o alarme inicial”, que as baterias tinham sido oficialmente criticadas por desperdiçar munição em alvos que se moviam devagar demais para serem aviões, e que as próprias explosões das granadas presas nos holofotes tinham sido tomadas por aviões. “É difícil ver”, acrescentava, “a que propósito inimigo teria servido um ataque em que nenhuma bomba foi lançada, a não ser que, como sugeriu o sr. Stimson, o propósito tenha sido o reconhecimento.”
Fontes: Air Battle Called MythThe Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286IJN Submarine I-17: Tabular Record of MovementDid Enemy Aircraft Threaten Los Angeles During World War II?
A fotografia
A imagem que tornou o caso famoso saiu no Times em 26 de fevereiro de 1942: nove fachos convergindo numa mancha brilhante sobre a região de Culver City, salpicada de pontos de luz. A legenda do jornal era franca: dizia que os fachos convergiam num “objeto” no céu e que as “manchas de luz que aparecem no vértice dos ângulos dos fachos foram produzidas por granadas antiaéreas”. Uma versão retocada de outro modo, com manchas brancas maiores, saiu no Times em 29 de outubro de 1945. Em março de 2011, o jornal a reexaminou. Scott Harrison, da equipe de fotografia, inspecionou dois negativos encontrados na UCLA por Simon Elliott, das Special Collections. Um, que mostra a cena antes do retoque, era “muito chapado, o foco é suave e parece subexposto”; o outro era um negativo de cópia da prova publicada, no qual muitos fachos tinham sido “clareados e alargados com tinta branca, enquanto outros fachos foram eliminados”. Pelos padrões atuais, escreveu Harrison, “esta imagem não seria publicada”. Larry Harnisch, com a gasta prova de 1942 nas mãos, escreveu que os fachos foram retocados a aerógrafo, que as explosões das granadas eram “borrões de tinta” e que a silhueta escura dos prédios na parte de baixo era tinta preta. O negativo sem retoque, concluiu, não mostra “nada além de uma convergência de fachos de luz com alguns pontos de luz agrupados ao acaso”.

Fontes: By the Way With Bill HenryThe Battle of L.A., 1942 [updated]Another Good Story Ruined: Saucers Over L.A.! — Part 1Another Good Story Ruined: Saucers Over L.A.! — Part 7File:Battle of Los Angeles LATimes.jpg (página de fotos do Los Angeles Times, 26 de fevereiro de 1942)
Do susto de guerra ao disco voador
Durante um quarto de século, a batalha foi uma história de guerra, e cômica. Quando os discos voadores chegaram, no verão de 1947, um editorial do Times de 8 de julho lembrou como “explosões antiaéreas presas nos fachos dos holofotes foram ampliadas em 27 bombardeiros bimotores japoneses, voando majestosamente em formação”. Bill Henry, em 1952, recordou a noite em que “algo parecido com um disco voador — era na verdade um balão meteorológico extraviado — desencadeou a barragem de artilharia mais danada que nossa comunidade já testemunhou, antes ou depois”. A leitura ufológica chegou em 1968, de duas direções ao mesmo tempo. Gordon Lore e Harold Deneault deram à batalha um capítulo de Mysteries of the Skies, com base na história inédita do 4th Antiaircraft Command; o registro oficial, escreveram, era “espantosamente escasso”. Em setembro daquele ano, Paul T. Collins publicou “The UFOs of 1942” em Exploring the Unknown. Descreveu “um objeto grande o bastante para fazer um prédio de apartamentos parecer anão”, citou um redator não identificado do Herald-Express que tinha certeza de que muitas granadas tinham explodido no meio dele e contou sua própria história. Voltando para casa de um turno da tarde na Douglas, em Long Beach, foi parado por guardas da defesa antiaérea em Pasadena e viu “pontos de luz vermelho-vivos” baixos sobre Long Beach, “ziguezagueando de um lado para o outro”, sumindo e reaparecendo enquanto as granadas explodiam entre eles. Concluiu que nenhum aparelho feito pelo homem conseguiria voar daquele jeito.
Fontes: Another Good Story Ruined: Saucers Over L.A.! — Part 6Mysteries of the Skies: UFOs in Perspective, capítulo 6, “The Battle of Los Angeles”The UFOs of 1942 (republicado de Exploring the Unknown, setembro de 1968)
Katie e o editor
Collins já tinha afirmado em 1968 que “milhares” de observadores tinham “verificado a presença de um objeto enorme, não identificável e indestrutível”, e repetiu isso ao recontar sua história na Fate em julho de 1987. No fim dos anos 1990, mais duas vozes se juntaram à lenda e se tornaram as mais citadas. No artigo de Jeff Rense “The Most Incredible Mass Sighting Of All?”, uma guarda da defesa antiaérea e decoradora de interiores do lado oeste, identificada apenas como “Katie”, recordava um objeto que era “enorme! Simplesmente enorme! E estava praticamente bem em cima da minha casa”, “de um laranja-claro lindo e quase a coisa mais bonita que você já viu”, com caças se aproximando e dando meia-volta, embora o memorando de Marshall diga que nenhum avião americano esteve em ação naquela noite. A outra voz é Peter Jenkins, “editor” do Los Angeles Herald Examiner, que “via claramente a formação em V de uns 25 aviões prateados lá no alto, movendo-se devagar pelo céu em direção a Long Beach”. A citação vem de um artigo de 1996 de Terrenz Sword na revista Unsolved UFO Sightings, repassado pelo boletim UFO Roundup, de Joseph Trainor, em fevereiro de 1998 e depois acrescentado à página de Rense. Nenhuma publicação dela em 1942 foi encontrada, e o Herald Examiner só passou a existir quando o Examiner e o Herald-Express se fundiram, em 1962.
Fontes: The UFOs of 1942 (republicado de Exploring the Unknown, setembro de 1968)The Most Incredible Mass Sighting Of All? The Battle Of Los AngelesMemorandum for the President [sobre o alarme aéreo em Los Angeles]The Battle of Los Angeles UFO story
Não terrestres
Mais ou menos na mesma época, o pesquisador Timothy Cooper recebeu de fontes anônimas cópias de supostos memorandos do tempo da guerra. Um deles, numa carta com carimbo postal de Sacramento, era um memorando de Marshall de 5 de março de 1942 informando que os aviões misteriosos eram “não terrestres” e “com toda a probabilidade de origem interplanetária”, e que um tinha sido recuperado ao largo da costa e outro semelhante a leste de Los Angeles. Robert e Ryan Wood o publicaram entre seus documentos “Majestic”, observando que as palavras “Interplanetary Phenomenon Unit” tinham sido datilografadas nele mais tarde, em outra máquina de escrever; céticos como Brian Dunning o descartam como fraude. Em 2011, a publicidade do filme de Hollywood Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (Battle: Los Angeles) se apoiou na fotografia retocada e em falsas manchetes de jornal, e a noite se tornou, para boa parte da internet, a primeira grande batalha contra OVNIs.
Fontes: Documents Dated Prior to 1948 (os memorandos “Marshall to Roosevelt, March 5, 1942” e “Roosevelt to Marshall, February 27, 1942”)The Battle of Los Angeles (episódio 171)Another Good Story Ruined: The Battle of Los Angeles
O que sobrevive
O núcleo do registro é militar e contemporâneo. O memorando de Marshall (carimbado PSF, de President’s Secretary’s File, o arquivo do secretário do presidente) e uma cópia de arquivo do bilhete de Roosevelt a Stimson sobrevivem como digitalizações hospedadas pelo California State Military Museum. A história oficial das Forças Aéreas do Exército, de 1948, reconstitui a noite minuto a minuto a partir dos relatórios do Western Defense Command e da história do 4th Antiaircraft Command, que nunca foi publicada e que Lore e Deneault citaram em 1968. O artigo do coronel Murphy de 1949 em The Antiaircraft Journal é o único relato de um membro da junta de investigação, escrito de memória sete anos depois; ele data a noite, por engano, de 26 de fevereiro. A imprensa da época é rica: os despachos da Associated Press, o Los Angeles Times de 25 a 27 de fevereiro, com os relatos de testemunha ocular de Marvin Miles e Bill Henry, a lista de vítimas e as prisões, e a coluna de Ernie Pyle. Este relato não se baseia nos outros jornais de Los Angeles de 1942, entre eles o Herald-Express, o Examiner e os jornais de Long Beach. Os dois negativos da fotografia dos holofotes estão na UCLA. Nenhum traçado de radar, registro de tiro ou transcrição de interrogatório foi publicado, e não existem destroços nem filmagem de aeronave alguma.
Fontes: Memorandum for the President [sobre o alarme aéreo em Los Angeles]The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286Activities of the Ninth Army AAA (seção “L.A. ‘Attacked’”)Mysteries of the Skies: UFOs in Perspective, capítulo 6, “The Battle of Los Angeles”By the Way With Bill HenryThe Battle of L.A., 1942 [updated]
Como a história cresceu
Quase todo número se mexe. Os canhões abriram fogo às 3h06 na história do Exército, às 3h12 no memorando de Marshall e às 3h16 em Collins; pararam às 4h15 ou às 4h14. Marshall e Stimson falaram em 1.430 cartuchos, a história do Exército em 1.440, versões posteriores em 1.433 ou “quase 2.000”. O Times contou cinco mortes, Collins seis, a história do Exército “pelo menos uma morte por insuficiência cardíaca”. Os aviões vão de um a cinco (os comandantes locais), até quinze (Marshall), vinte e cinco (um coronel), sete ou duzentos (civis e policiais), ou nenhum (Knox, e a Quarta Força Aérea em seu primeiro relatório). A lua é um pequeno enigma à parte. Murphy se lembrava de “uma bela noite de luar”, enquanto Brian Dunning escreveu que a lua tinha se posto às 2h30. Os dois podem ter razão. O horário de Dunning corresponde à hora padrão, mas o país tinha adiantado os relógios em uma hora em 9 de fevereiro, de modo que a lua ainda estava no céu, baixa no oeste, quando o tiroteio começou. As citações foram o que mais mudou. O “objeto” de Bill Henry e seus acertos diretos sobrevivem nas versões ufológicas, mas o seu punhado de balões, não. O observador da Marinha com “poderosos binóculos Carl Zeiss” que contou nove aviões prateados aparece nas versões dos anos 1990 do relato do chefe McClelland e não foi encontrado no texto pesquisável do Times de 1942. Katie e Peter Jenkins não têm fonte anterior aos anos 1990.
Fontes: The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286Memorandum for the President [sobre o alarme aéreo em Los Angeles]The UFOs of 1942 (republicado de Exploring the Unknown, setembro de 1968)By the Way With Bill HenryThe Battle of Los Angeles (episódio 171)The Battle of Los Angeles UFO storyThe Most Incredible Mass Sighting Of All? The Battle Of Los Angeles
As explicações em jogo
A explicação do próprio Exército, vinda da junta de inquérito e da história oficial, é uma reação em cadeia. Um balão meteorológico, solto por um regimento antiaéreo para medir os ventos e talvez levando o sinalizador vermelho que a história do Exército menciona, foi relatado como aeronave. Um jovem controlador ordenou fogo, e as explosões das granadas, iluminadas pelos holofotes e derivando em meio à fumaça, viraram as formações que as testemunhas depois viram. Um segundo balão reiniciou o tiroteio. O “punhado de balões” de Bill Henry e a identificação do capitão Cohen a sustentam, assim como a lentidão do alvo, que o próprio memorando de Marshall registrou como “muito lenta”. Céticos desde então, entre eles Tim Printy e Brian Dunning, argumentam que o “objeto” brilhante era o clarão dos holofotes na fumaça das granadas, e a revisão do próprio Times em 2011 concluiu que a prova publicada fora fortemente retocada. A teoria do Departamento de Guerra, de aviões comerciais pilotados por agentes inimigos, nunca encontrou respaldo, e o Japão negou ter mandado qualquer aeronave. A interpretação ufológica se apoia sobretudo em relatos registrados décadas depois, na fotografia e no fato de o Exército nunca ter publicado suas conclusões completas. Algumas testemunhas, Collins entre elas, descreveram luzes que ziguezagueavam e sumiam. Balões, sinalizadores, balas traçantes e explosões vistas através da fumaça e do clarão dos holofotes podem explicá-las, mas ninguém pode hoje provar o que cada testemunha viu.
Fontes: Activities of the Ninth Army AAA (seção “L.A. ‘Attacked’”)The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286By the Way With Bill HenryMemorandum for the President [sobre o alarme aéreo em Los Angeles]The Battle of Los Angeles UFO storyThe Battle of Los Angeles (episódio 171)The Battle of L.A., 1942 [updated]The UFOs of 1942 (republicado de Exploring the Unknown, setembro de 1968)
Nota de classificação
Este arquivo classifica a Batalha de Los Angeles como encontro militar porque o núcleo do registro é uma ação de defesa aérea do Exército, seus relatórios pós-ação e as declarações do Departamento de Guerra. Não leva código de contato imediato: nenhuma testemunha de 1942 descreveu uma nave estruturada a curta distância, vestígios de pouso ou ocupantes, e o objeto gigante e pairando dos relatos posteriores só aparece impresso um quarto de século depois do acontecimento. O caso está incluído pelo que a noite mostra sobre como uma cidade, seus artilheiros e seus jornais viam o céu, e como um susto de guerra virou lenda ufológica.
Fontes: The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286The UFOs of 1942 (republicado de Exploring the Unknown, setembro de 1968)
- 19 FEV 1942
Roosevelt assina a Ordem Executiva 9066, abrindo caminho para a remoção dos nipo-americanos da Costa Oeste.
- 23 FEV 1942
Durante uma conversa ao pé da lareira, o submarino I-17 bombardeia o campo de petróleo de Ellwood, perto de Santa Barbara, por cerca de vinte minutos.
- 24 FEV 1942
A inteligência naval avisa de um ataque nas próximas dez horas; um alerta vai das 19h18 às 22h23.
- 25 FEV · 2H15
Um alvo de radar 120 milhas a oeste põe as baterias antiaéreas em alerta.
- 25 FEV · 2H21–2H25
O controlador regional ordena o blecaute; as sirenes soam por toda Los Angeles.
- 25 FEV · 2H43
São relatados aviões perto de Long Beach; um coronel informa cerca de 25 a 12.000 pés.
- 25 FEV · 3H06
Depois que um balão com um sinalizador vermelho é visto sobre Santa Monica, quatro baterias abrem fogo (3h12 no memorando de Marshall).
- 25 FEV · 4H15
O tiroteio termina depois de cerca de 1.430 cartuchos; a junta depois atribui uma segunda rajada de disparos a outro balão meteorológico.
- 25 FEV · 7H21
Fim do alerta. Cinco mortes são atribuídas ao blecaute; cerca de trinta pessoas, vinte delas japonesas, são presas, algumas acusadas de fazer sinais.
- 25 FEV 1942
O secretário da Marinha, Knox, diz que foi “só um alarme falso”; o Quarto Exército diz que as aeronaves “não foram identificadas”.
- 26 FEV 1942
O Times publica a fotografia dos holofotes; Marshall diz a Roosevelt que até quinze aviões podem ter estado envolvidos; Stimson lê o memorando para a imprensa.
- 26–28 FEV 1942
O deputado Leland Ford exige respostas; o Washington Post e o New York Times questionam as contradições.
- 28–29 OUT 1945
A Quarta Força Aérea diz que aviões, possivelmente japoneses e lançados de submarinos, estiveram sobre a cidade; o Times republica uma fotografia retocada dos holofotes.
- 1 NOV 1945
Um porta-voz da Marinha japonesa chama a Batalha de Los Angeles de “um mito”.
- 8 JUL 1947
Enquanto os discos voadores tomam o noticiário, um editorial do Times relembra os bombardeiros fantasmas de 1942.
- 1948
A história oficial das Forças Aéreas culpa balões meteorológicos e explosões de granadas nos holofotes.
- MAI–JUN 1949
O coronel John G. Murphy revela a conclusão da junta: um balão meteorológico “começou todo o tiroteio”.
- 1968
Mysteries of the Skies, de Lore e Deneault, e “The UFOs of 1942”, de Paul T. Collins, reinterpretam a noite como caso de OVNI.
- JUL 1987
Collins reconta sua história de 1968 na Fate, descrevendo de novo “um objeto enorme, não identificável e indestrutível”.
- FIM DOS ANOS 1990
Jeff Rense publica o relato de “Katie”; a citação de Peter Jenkins se espalha a partir de um artigo de revista de 1996; um memorando de Marshall contestado chama as naves de “interplanetárias”.
- MAR 2011
Estreia Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles; o Times mostra que sua fotografia de 1942 foi fortemente retocada.
Fontes e entrevistas
As fontes permanecem no idioma original; seus títulos e descrições estão traduzidos.
The Army Air Forces in World War II, Vol. I: Plans and Early Operations, capítulo 8, “The Defense of the Western Hemisphere”, pp. 277–286Wesley Frank Craven e James Lea Cate, orgs. · University of Chicago Press, 1948; reedição do Office of Air Force History, 1983 · transcrição do HyperWarMemorandum for the President [sobre o alarme aéreo em Los Angeles]Gen. George C. Marshall, chefe do Estado-Maior · 26 de fevereiro de 1942 · President’s Secretary’s File, Franklin D. Roosevelt Library (desclassificado em 10 de março de 1959) · digitalização hospedada pelo California State Military MuseumBilhete ao secretário da Guerra (“Dear Harry”) sobre alarmes aéreosFranklin D. Roosevelt · 26 de fevereiro de 1942 · digitalização hospedada pelo California State Military MuseumCalifornia in World War II: The Battle of Los AngelesCalifornia State Military Museum, California Military DepartmentActivities of the Ninth Army AAA (seção “L.A. ‘Attacked’”)Cel. John G. Murphy · The Antiaircraft Journal, vol. 92, n.º 3, maio–junho de 1949, pp. 4–5 · digitalização ADA509813 do Defense Technical Information Center, Internet ArchiveLos Angeles Defense Guns Blaze Away: City Gets Air Raid Scare As Unidentified Plane Crosses HeavensFrank Frawley, Associated Press · Wilmington Morning Star (Carolina do Norte), 26 de fevereiro de 1942, pp. 1 e 3 · DigitalNCMystery Planes Fly Over Los AngelesAssociated Press · Wilmington Morning Star (Carolina do Norte), 27 de fevereiro de 1942, p. 2 · DigitalNCVast Los Angeles Area Raided by Jap Planes (edição posterior)Los Angeles Times · 25 de fevereiro de 1942 · Internet Archive (digitalização de empréstimo restrito, texto pesquisável)Roaring Guns Mark Blackout; Five Deaths Laid to Raid Blackout; Plane Signaling Suspects Seized; “Seeking Out ‘Object’” (foto e legenda); relato de testemunha ocular de Marvin Miles; editorial “Whose nerves, Mr. Knox?”Los Angeles Times · 26 de fevereiro de 1942 · Internet Archive (digitalização de empréstimo restrito, texto pesquisável)By the Way With Bill HenryBill Henry · Los Angeles Times, 26 de fevereiro de 1942, parte II · Internet Archive (digitalização de empréstimo restrito, texto pesquisável)Knox Assailed on ‘False Alarm’; transcrição taquigráfica do memorando de Marshall lido por StimsonLos Angeles Times · 27 de fevereiro de 1942 · Internet Archive (digitalização de empréstimo restrito, texto pesquisável)Air Battle Called MythAssociated Press, de Tóquio · Los Angeles Times, 1.º de novembro de 1945 · Internet Archive (digitalização de empréstimo restrito, texto pesquisável)IJN Submarine I-17: Tabular Record of MovementBob Hackett, Sander Kingsepp e Peter Cundall · Combinedfleet.comExecutive Order 9066: Resulting in Japanese-American Incarceration (1942)National Archives, Milestone DocumentsMysteries of the Skies: UFOs in Perspective, capítulo 6, “The Battle of Los Angeles”Gordon I. R. Lore Jr. e Harold H. Deneault Jr. · Prentice-Hall, 1968 · Internet Archive (biblioteca de empréstimo)The UFOs of 1942 (republicado de Exploring the Unknown, setembro de 1968)Paul T. Collins · Flying Saucer Digest, n.º 19 · Internet ArchiveThe Most Incredible Mass Sighting Of All? The Battle Of Los AngelesJeff Rense · Rense.com (publicado primeiro no Sightings.com até o início de 1998; ampliado depois com análises de fotos)Documents Dated Prior to 1948 (os memorandos “Marshall to Roosevelt, March 5, 1942” e “Roosevelt to Marshall, February 27, 1942”)Robert M. Wood e Ryan S. Wood · Majestic DocumentsAnother Good Story Ruined: Saucers Over L.A.! — Part 1Larry Harnisch · The Daily Mirror (blog do Los Angeles Times, hoje ladailymirror.com) · 7 de março de 2011Another Good Story Ruined: Saucers Over L.A.! — Part 3Larry Harnisch · The Daily Mirror · 9 de março de 2011Another Good Story Ruined: Saucers Over L.A.! — Part 6Larry Harnisch · The Daily Mirror · 12 de março de 2011Another Good Story Ruined: Saucers Over L.A.! — Part 7Larry Harnisch · The Daily Mirror · 13 de março de 2011Another Good Story Ruined: The Battle of Los AngelesLarry Harnisch · The Daily Mirror · 21 de fevereiro de 2011The Battle of L.A., 1942 [updated]Scott Harrison · Framework, blog de fotografia do Los Angeles Times · 10 de março de 2011 · cópia na Wayback MachineThe Battle of Los Angeles UFO storyTim Printy · SUNlite, vol. 3, n.º 1, janeiro–fevereiro de 2011The Battle of Los Angeles (episódio 171)Brian Dunning · Skeptoid · 15 de setembro de 2009Did Enemy Aircraft Threaten Los Angeles During World War II?Bill Yenne · HistoryNet · 2019File:Battle of Los Angeles LATimes.jpg (página de fotos do Los Angeles Times, 26 de fevereiro de 1942)Wikimedia CommonsHolofotes da frota sobre San Pedro, 1935 (Los Angeles Times Photographic Collection)UCLA Library Special Collections, Charles E. Young Research Library · CC BY 4.0Encontrou um erro ou conhece uma fonte melhor? Escreva para hello@uap.fun.
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