Uma linha nos anais
Os anais irlandeses são lacônicos. Ano após ano, seus compiladores anotavam mortes de reis e abades, batalhas, incêndios de mosteiros, tempestades e fomes, em geral numa frase cada, numa mistura de latim e irlandês. No ano que os editores modernos dos Anais do Ulster datam de 749 (o próprio manuscrito o conta como 748), a lista corre assim: um rei dos Cruithin morto, o mosteiro de Clonfert incendiado, uma batalha em Ard Ciannachta, um grande vendaval, o afogamento da comunidade de Iona. E então, como nona entrada na tradução: “Navios com suas tripulações foram vistos no ar sobre Cluain Moccu Nóis.” No original, o analista escreve em latim, “Naues in aere uisae sunt cum suis uiris”, e depois passa ao irlandês para o lugar: “os cinn Cluana Mc. Nois”, sobre Clonmacnoise. É esse o relato inteiro. Não há testemunha nomeada, nem hora, nem forma, nem número de navios. Os anos em volta foram duros e estranhos. O anal do ano anterior registra uma neve de profundidade incomum que matou quase todo o gado da Irlanda, seguida de seca, e três anos antes a mesma crônica anota, com igual brevidade, que “dragões foram vistos no céu”.

Fontes: Os Anais do Ulster (texto latino e irlandês), entrada U749.10Os Anais do Ulster (tradução), entradas U746.2, U748.3, U749.3–9, U755.2, U764.6, U786.3, U845.3
A cidade de Ciarán
Clonmacnoise não era um eremitério tranquilo. São Ciarán, “o filho do carpinteiro” nos anais, fundou-o na década de 540 (os Anais do Ulster dizem 548) numa crista de cascalho acima do Shannon, onde o rio cruzava a grande estrada leste–oeste que atravessava os pântanos das Midlands, e morreu ali mais ou menos um ano depois, no seu trigésimo terceiro ano de vida. No século VIII, era uma das grandes cidades monásticas da Irlanda, rica o bastante para valer um incêndio e poderosa o bastante para lutar. Os Anais do Ulster acompanham sua sorte nas décadas em torno do avistamento: abades mortos em 740 e 753, o mosteiro incendiado em 21 de março de 755 e, em 764, uma batalha campal em Argaman entre a comunidade de Clonmacnoise e a comunidade de Durrow, na qual duzentos homens de Durrow foram mortos. Em 786, os mesmos anais anotam, sem explicação, “uma visão horrível em Cluain Moccu Nóis, e grande penitência feita em toda a Irlanda”. Os vikings vieram depois, saqueando o mosteiro por volta de 842; em 845, Turgéis, acampado no Lough Ree, incendiou Clonmacnoise “com seus oratórios”. As torres redondas, as altas cruzes e as igrejas de pedra que os visitantes veem hoje datam em sua maioria do século X em diante, reconstruídas depois de ataques de reis irlandeses, nórdicos e, por fim, normandos.

Fontes: Os Anais do Ulster (tradução), entradas U746.2, U748.3, U749.3–9, U755.2, U764.6, U786.3, U845.3Clonmacnoise
Quatro anais, quatro datas
A nota aparece também nas outras grandes crônicas, o que sugere fortemente um único registro antigo copiado por diferentes linhas de transmissão. Os Anais de Tigernach, sob 748, dizem apenas “Naues in aere uise sunt cum uiris suis”, navios foram vistos no ar com seus homens, e não nomeiam lugar algum. Os Anais dos Quatro Mestres, compilados na década de 1630, põem-na em 743 e acrescentam um advérbio: navios com suas tripulações “foram vistos claramente no céu neste ano”. Os Anais de Clonmacnoise, que sobrevivem apenas na tradução inglesa de Conell Mageoghagan de 1627, trazem-na sob 744, na sua esplêndida ortografia: “There were shipes seen in the skyes with their men this yeare” (“viram-se navios nos céus com seus homens neste ano”). O Chronicon Scotorum, outro anal ligado a Clonmacnoise, tem uma lacuna que cobre essas décadas. E o Livro de Leinster, um compêndio do século XII, encaixa a linha latina na sua lista dos reis da Irlanda, sob Domnall, filho de Murchad, que reinou de 743 a 763. De todas essas testemunhas, só os Anais do Ulster põem os navios sobre Clonmacnoise; até a crônica que leva o nome do mosteiro omite o lugar.
Fontes: Os Anais de Tigernach (tradução), entradas T746.3, T748.3, T748.13Annals of the Kingdom of Ireland by the Four Masters, entrada M743.9The Annals of Clonmacnoise, being Annals of Ireland from the Earliest Period to A.D. 1408O Livro de Leinster, antes Lebar na Núachongbála, lista dos reis (fól. 25b)Navio aéreo de Clonmacnoise
Três navios sobre a feira de Teltown
Então a história começou a se mover. O Livro de Leinster guarda também uma lista das maravilhas de Tailtiu, a grande assembleia real realizada todo verão em Teltown, no condado de Meath, onde reis presidiam jogos, corridas de cavalos e julgamentos. Uma delas é “ver três navios navegando no ar acima deles, quando os homens da Irlanda celebravam a assembleia com Domnall, filho de Murchad”. O avistamento do século VIII ganhara uma multidão e um rei. No século XI, ganhara também um enredo. Numa coleção das maravilhas da Irlanda preservada na versão irlandesa da Historia Brittonum, o navio aparece sobre a feira de Teltown na presença de outro rei, Congalach, filho de Máel Mithig, que reinou em meados do século X e foi morto pelos nórdicos em 956. Um dos tripulantes lança um dardo contra um salmão. O dardo cai no meio da multidão, e um homem desce do navio atrás dele. Enquanto desce, um homem lá embaixo o agarra. “Estou me afogando”, diz o homem do alto. “Soltem-no”, diz Congalach, e o estranho é libertado e se vai “para longe deles, nadando no ar”. James Henthorn Todd, que imprimiu o texto irlandês em 1848, descartou-o como “esta história sem sentido”; outro manuscrito faz o marinheiro lançar um forcado em vez de um dardo.
Fontes: O Livro de Leinster, antes Lebar na Núachongbála, lista dos reis (fól. 25b)Das maravilhas de Éire (Do ingantaib Érenn), maravilha nº 23As mirabilia irlandesas no “Speculum Regale” nórdicoNavio aéreo de Clonmacnoise
Um rei no teatro dos irlandeses
A mesma cena aparece em versos latinos em De mirabilibus Hibernie, um poema sobre as maravilhas da Irlanda em geral atribuído a Patrício, bispo de Dublin no fim do século XI. Uma de suas maravilhas tem por título “De naui que uisa est in aere”, do navio que foi visto no ar. Um rei está no “teatro dos irlandeses”, provavelmente uma assembleia como a de Teltown, com milhares de pessoas à sua volta em bela ordem, quando de repente todos veem um navio correndo pelo ar. Um dos tripulantes lança uma lança atrás de um peixe, a lança cai na terra, e o homem desce nadando e a recupera. O poema abandona a clemência do rei e o homem agarrado lá de baixo, mas conserva a inversão que faz a história durar: para os marinheiros, o ar sobre a Irlanda é o mar, os irlandeses vivem no fundo dele, e um homem pode descer nadando através dele atrás de uma lança perdida. O poeta termina perguntando quem poderia ouvir tal coisa sem louvar o Tonante.
Fontes: Sobre as maravilhas da Irlanda: tradução e adaptaçãoNavio aéreo de Clonmacnoise
A âncora chega a Clonmacnoise
Em algum momento, o navio voltou a Clonmacnoise, desta vez com uma âncora. Uma versão irlandesa preservada num manuscrito do fim da Idade Média em Edimburgo (National Library of Scotland, Adv. MS 72.1.26) situa a história na igreja de Clonmacnoise: uma âncora cai do céu, os clérigos a agarram, um homem desce nadando atrás dela e, como eles não a soltam, protesta que está se afogando, até que o deixam voltar nadando ao seu navio com a âncora. Os estudiosos discordam quanto à data. Kenneth Jackson achava o texto talvez do século XIV ou XV, enquanto o celtista John Carey o atribuiu ao período do irlandês médio tardio, antes de cerca de 1200. Carey, cujo artigo de 1992 traçou toda a evolução, também propôs de onde veio a âncora. Uma glosa a um antigo hino irlandês a Santa Brígida fala de um navio no mar cuja âncora se prende num mosteiro no fundo do Mar de Wight, e ele sugere que os monges de Clonmacnoise tomaram emprestada essa maravilha para o seu próprio navio celeste. Na leitura de Carey, Clonmacnoise nesse período era uma casa ávida de maravilhas.

Fontes: Navio aéreo de ClonmacnoiseNavios aéreos e mosteiros submarinos: a evolução de uma maravilha monásticaQuando um relato de avistamento não é um relato de avistamento
Missa de domingo em Cloena
A versão mais completa foi posta por escrito não na Irlanda, mas na Noruega. Por volta de 1250, um autor anônimo compôs o Konungs skuggsjá, o Espelho do Rei, um diálogo em que um pai instrui o filho em tudo o que um cortesão ou mercador deve saber, inclusive as maravilhas da Irlanda. Uma delas aconteceu, diz ele, na cidade chamada Cloena, que o estudioso Kuno Meyer identificou como Clonmacnoise, numa igreja dedicada a um santo chamado Kiranus. “Num domingo, estando o povo na igreja ouvindo missa, aconteceu que uma âncora caiu do céu como se lançada de um navio”, na tradução de Laurence Larson de 1917. Havia uma corda amarrada a ela, e uma das unhas se prendeu “no arco acima da porta da igreja”. A congregação correu para fora e seguiu a corda com os olhos, para o alto. Viram “um navio com homens a bordo flutuando diante do cabo da âncora”, e então um homem saltou pela amurada e mergulhou em direção à âncora, movendo mãos e pés “como os de um homem que nada na água”. O povo precipitou-se para agarrá-lo. Mas o bispo, cuja cátedra ficava naquela igreja, o proibiu, “pois, disse ele, poderia ser fatal, como quando alguém é mantido debaixo d’água”. Libertado, o mergulhador voltou às pressas para cima; a tripulação cortou a corda, e “o navio se afastou até sumir de vista. Mas a âncora ficou na igreja desde então, como testemunho deste acontecimento”. O nórdico antigo torna vívido o temor do bispo: o homem morreria “sem hann væri i vatni haldinn”, como se fosse mantido na água.

Fontes: The King’s Mirror (Speculum regale – Konungs skuggsjá), capítulo XI, “Maravilhas irlandesas de origem milagrosa”Speculum regale. Konungs-skuggsjáAs mirabilia irlandesas no “Speculum Regale” nórdico
Maravilhas ouvidas na Irlanda
O Espelho do Rei coloca a história da âncora numa série de maravilhas irlandesas: uma ilha onde os mortos nunca se decompõem, um lago onde uma estaca de azevinho vira ferro na lama e pedra na água, e os homens chamados gelts (do irlandês geilt, “louco”), que fogem aterrorizados da batalha para os bosques e ganham penas depois de vinte invernos. Kuno Meyer, que as comparou com as listas irlandesas em 1894 (reeditado em 1910), achava que o autor norueguês as recolhera de viva voz na Irlanda, e não em livros. Sua comparação mostrou também o quanto a versão nórdica difere das irlandesas então conhecidas. As listas irlandesas que Meyer conhecia põem o navio sobre Teltown e dão ao marinheiro uma lança; o texto nórdico o transfere para a igreja de São Ciarán, como faz também o texto irlandês de Edimburgo, e só ele acrescenta o bispo, o domingo e a âncora inteira guardada na igreja como relíquia.

Fontes: The King’s Mirror (Speculum regale – Konungs skuggsjá), capítulo XI, “Maravilhas irlandesas de origem milagrosa”As mirabilia irlandesas no “Speculum Regale” nórdicoNavio aéreo de Clonmacnoise
Um dia de festa em algum lugar da Grã-Bretanha
Quatro décadas antes do Espelho do Rei, a âncora já tinha atravessado o Mar da Irlanda. Por volta de 1211, Gervásio de Tilbury, jurista e cortesão inglês a serviço do imperador Oto IV, encheu seus Otia Imperialia, ou Recreação para um Imperador, de maravilhas, e no capítulo sobre o mar conta uma versão mais sombria, uma maravilha que chama de nova e amplamente relatada em seu tempo. Num dia de festa “na Grã-Bretanha maior”, quando uma congregação saía de sua igreja paroquial depois da missa para um ar espesso e nublado, encontrou a âncora de um navio cravada num túmulo de pedra dentro do adro, com a corda esticada até o céu. Enquanto discutiam sobre ela, a corda se mexeu, como se alguém lá em cima lutasse para soltá-la, e do nevoeiro veio um clamor como de marinheiros gritando. Então um dos tripulantes desceu pela corda, mão sobre mão, como fazem os marinheiros. Mal tinha soltado a âncora quando os presentes o agarraram, e ele morreu nas mãos deles, sufocado, como diz o latim de Gervásio, pela umidade do nosso ar espesso, como se naufragasse no mar. Depois de cerca de uma hora, os marinheiros lá de cima o deram por afogado, cortaram a corda e partiram. O ferro da âncora, diz Gervásio, foi transformado em ferragens para a porta da igreja, que ainda podem ser vistas. Ele não nomeia a paróquia. Uma âncora mais antiga cai na crônica de Geoffroy de Vigeois, monge do Limousin no século XII: um navio “navis sursum in aere” sobre Londres em 1122, cuja tripulação teve de cortar a corda quando os habitantes se lançaram sobre a âncora.
Fontes: Des Gervasius von Tilbury Otia imperialia, in einer Auswahl neu herausgegeben (livro I, capítulo 13, “De mari”)Navio aéreo de ClonmacnoiseSt. Patrick’s Purgatory: An Essay on the Legends of Purgatory, Hell, and Paradise
A faca de Bristol e o mar lá em cima
Gervásio contou a história da âncora como prova de uma tese: a de que o mar fica acima de nós, no ar. No mesmo capítulo, acrescenta uma segunda prova. Um homem de Bristol que navegava para a Irlanda, longe, em águas remotas, lavava a faca por cima da borda do navio depois de uma refeição quando ela lhe escapou da mão; naquela mesma hora, ela caiu pela claraboia de sua casa em Bristol e se cravou na mesa diante de sua mulher. Ela reconheceu a faca e a guardou, e quando ele voltou para casa, muito tempo depois, o dia e a hora coincidiam. Os leitores medievais tinham um texto para esse oceano superior no primeiro capítulo do Gênesis, em que Deus separa as águas que estão debaixo do firmamento das águas que estão acima dele, e os escritores irlandeses em especial brincaram com a ideia. Na Viagem de Bran, o deus do mar Manannán conduz seu carro sobre as ondas e diz a Bran que o que lhe parece oceano é uma planície florida, e que os salmões que saltam são seus bezerros e cordeiros. Contra esse pano de fundo, os marinheiros do céu não são tanto visitantes de outro mundo quanto vizinhos do andar de cima, pescando, lançando âncora e afogando-se no nosso ar pesado, como nós nos afogaríamos no deles.
Fontes: Des Gervasius von Tilbury Otia imperialia, in einer Auswahl neu herausgegeben (livro I, capítulo 13, “De mari”)Viajantes na abóbada celeste: o fenômeno dos navios no céu na Irlanda medieval e alémSt. Patrick’s Purgatory: An Essay on the Legends of Purgatory, Hell, and ParadiseO mar superior da IrlandaNavio aéreo de ClonmacnoiseWonders in the Sky: Unexplained Aerial Objects from Antiquity to Modern Times
Magônia
A história mais antiga de navios celestes no continente nada tem a ver com a Irlanda. Por volta de 815, Agobardo, arcebispo de Lyon, escreveu um tratado contra a crença popular de que fazedores de tempestades, os tempestarii, podiam provocar granizo. Ele se queixa de que muitos acreditam e dizem “que existe uma certa região chamada Magônia, de onde vêm navios nas nuvens”, para levar as colheitas derrubadas pelo granizo e pelas tempestades, e que os marinheiros aéreos pagam aos feiticeiros do tempo pelos grãos. Pior, escreve ele, tinha visto quatro pessoas, três homens e uma mulher, expostas acorrentadas numa reunião como se tivessem caído daqueles navios. Estavam presas havia alguns dias e eram mostradas à multidão, “em nossa presença”, como se fossem ser apedrejadas. Depois de longa disputa, diz Agobardo, a verdade prevaleceu e seus acusadores ficaram confundidos, “como fica confundido o ladrão quando é apanhado”. Mais de mil anos depois, Jacques Vallée tomou o nome emprestado para seu livro de 1969, Passport to Magonia, que defendia que os encontros modernos com óvnis continuam o velho folclore das fadas e dos visitantes aéreos. O livro citava Agobardo longamente e dava às histórias da âncora páginas próprias.
Fontes: Liber contra insulsam vulgi opinionem de grandine et tonitruisPassport to Magonia: From Folklore to Flying SaucersSt. Patrick’s Purgatory: An Essay on the Legends of Purgatory, Hell, and Paradise
A âncora aterrissa no Texas
Em 1844, o antiquário inglês Thomas Wright parafraseou a história da âncora de Gervásio e a faca de Bristol num livro sobre lendas medievais, pondo-as ao lado da Magônia de Agobardo como exemplos de uma crença medieval num mar acima do céu. A redação inglesa de Wright, com a âncora “enganchada numa das lápides” e os aldeões fazendo as dobradiças da porta da igreja com o seu ferro, foi recopiada durante meio século, e na primavera de 1897 voltou a circular como matéria de enchimento nos jornais. Uma nota intitulada “Um mar acima das nuvens”, creditada ao Boston Post, saiu no Pine Bluff Daily Graphic, no Arkansas, em 7 de março, e em outros jornais ao longo da primavera. Naquela primavera, os Estados Unidos estavam em plena grande onda de dirigíveis: depois de uma primeira agitação sobre a Califórnia no fim de 1896, aeronaves iluminadas estavam sendo relatadas por todo o Meio-Oeste e o Texas. Em 28 de abril, o Houston Post publicou um despacho de Merkel, no Texas, datado de 26 de abril: “Algumas pessoas que voltavam da igreja ontem à noite notaram um objeto pesado sendo arrastado, com uma corda presa a ele.” Seguiram-no até que ele se prendeu num trilho da ferrovia, olharam para cima e viram o que tomaram pelo dirigível, com luz saindo de várias janelas e “uma luz brilhante na frente, como o farol de uma locomotiva”. Depois de uns dez minutos, um homem desceu pela corda. “Usava uma roupa de marinheiro azul-clara, era de pequena estatura.” Vendo as pessoas junto à âncora, cortou a corda abaixo de si e partiu voando para o nordeste. “A âncora está agora em exposição na ferraria de Elliott e Miller e atrai a atenção de centenas de pessoas.”

Fontes: St. Patrick’s Purgatory: An Essay on the Legends of Purgatory, Hell, and ParadiseUm mar acima das nuvensUm mar acima das nuvens. Extraordinária superstição outrora corrente na InglaterraWonders in the Sky: Unexplained Aerial Objects from Antiquity to Modern TimesNavio aéreo de Clonmacnoise
Navios demoníacos e os livros de discos voadores
O navio de Clonmacnoise entrou na literatura dos discos voadores pelas mãos de Harold T. Wilkins, escritor britânico de mistérios, cujo Flying Saucers on the Attack (1954) recontava a história do Espelho do Rei como um dos “navios demoníacos” da velha Irlanda. Sua versão foi deturpada de maneiras que os autores posteriores não conseguiram enxergar. Cloena virou “Cloera”, São Kiranus virou “St. Kinarus”, o escritor do século IX Nennius foi transferido para cerca de 212 d.C., e o adro sem nome de Gervásio virou Gravesend, em Kent, onde um ferreiro teria batido a âncora para fazer ornamentos de uma estante de leitura. Na Flying Saucer Review, em 1964, W. Raymond Drake ofereceu o que chamou de tradução de Gervásio “possivelmente a primeira em inglês” e deduziu que a âncora caíra em Bristol. Frank Edwards, em Flying Saucers—Serious Business (1966), datou a história irlandesa de 956 d.C., o ano da morte do rei Congalach, e deu à âncora unhas afiadas e um arco de madeira em que se prender. Donald Hanlon pôs o despacho de Merkel ao lado das histórias medievais na Flying Saucer Review no fim daquele ano e achou a semelhança “francamente suspeita”. Jacques Vallée citou-o em Passport to Magonia: o relato do Texas “soa familiar demais para ser levado na brincadeira”. John Keel abriu uma seção de UFOs: Operation Trojan Horse (1970) com “o enigma das âncoras anômalas”, pôs o navio irlandês, Gervásio e Merkel ao lado da história de um fazendeiro de Iowa sobre o arpéu de um dirigível que lhe prendeu as calças, e ofereceu uma escolha aos leitores: ou as histórias eram derivadas umas das outras, ou dirigíveis “todos arrastando âncoras, apareceram em 956, 1200 e 1897”.
Fontes: Flying Saucers on the AttackFlying Saucers UncensoredFlying Saucer Review: W. R. Drake, “Homens do espaço na Idade Média”, vol. 10, nº 3 (maio–junho de 1964); Donald B. Hanlon, “A odisseia texana de 1897”, vol. 12, nº 5 (setembro–outubro de 1966)Flying Saucers—Serious BusinessPassport to Magonia: From Folklore to Flying SaucersUFOs: Operation Trojan Horse
Para fora do maravilhoso
A versão moderna mais famosa da história não é um livro sobre óvnis, mas um poema. Seamus Heaney encontrou a lenda num trabalho acadêmico e recontou-a como o oitavo de seus “Lightenings” de doze versos, em Seeing Things (1991). Na sua versão, os monges estão em oração quando a âncora se engancha na grade do altar; o marinheiro não consegue soltá-la, o abade avisa que ele vai se afogar no ar deles, os monges o ajudam, e ele sobe de volta para o navio e para fora do maravilhoso tal como o conhecera. Quando Heaney ganhou o Prêmio Nobel em 1995, o comunicado à imprensa da Academia Sueca destacou o poema como “uma cristalização de grande parte do mundo imaginativo de Heaney”. Heaney chamou mais tarde a lenda de uma espécie de instrução onírica e, num discurso de formatura em 2000, exortou os ouvintes a “nunca ser tão espertos a ponto de ignorar o estranho”. Em 2014, uma tapeçaria do artista tcheco Peter Sís, Out of the Marvellous, tecida na França e paga por amigos e admiradores de Heaney, foi pendurada no Terminal 2 do Aeroporto de Dublin. Ela mostra uma pequena figura num minúsculo navio no céu, de modo que os viajantes que passam por baixo erguem os olhos para o marinheiro, como fez a congregação.

Fontes: Navio aéreo de ClonmacnoisePrêmio Nobel de Literatura de 1995: comunicado à imprensaPoesia em movimento: tapeçaria em homenagem a Seamus Heaney
O que sobrevive
O núcleo do caso é uma única nota de anal, copiada em pelo menos quatro crônicas e numa lista de reis, que põe navios com suas tripulações no céu irlandês na década de 740. Só os Anais do Ulster, que a datam de 749, dizem que os navios estavam sobre Clonmacnoise; os Anais de Tigernach, os Quatro Mestres e os Anais de Clonmacnoise dão 748, 743 e 744 e não nomeiam lugar algum. Para John Carey, a data, o conjunto de anais que a trazem e o fato de ter sido escrita primeiro em latim sugerem uma nota contemporânea de uma ocorrência anômala, e não uma invenção posterior; Elizabeth Boyle é mais cética. Todo o resto, incluindo a lança de pesca, o marinheiro que se afoga, a âncora, o bispo e a missa de domingo, pertence a recontos postos por escrito do século XI em diante.
Fontes: Os Anais do Ulster (tradução), entradas U746.2, U748.3, U749.3–9, U755.2, U764.6, U786.3, U845.3Os Anais de Tigernach (tradução), entradas T746.3, T748.3, T748.13Annals of the Kingdom of Ireland by the Four Masters, entrada M743.9The Annals of Clonmacnoise, being Annals of Ireland from the Earliest Period to A.D. 1408Navios aéreos e mosteiros submarinos: a evolução de uma maravilha monásticaQuando um relato de avistamento não é um relato de avistamentoSobre as maravilhas da Irlanda: tradução e adaptação
Como a história derivou
A deriva medieval está bem mapeada: vários navios sobre Clonmacnoise, depois três navios sobre a feira de Teltown sob Domnall, filho de Murchad, depois um navio e uma lança sob Congalach, depois uma âncora em Clonmacnoise, depois uma âncora num adro britânico e, por fim, no Espelho do Rei, a cena completa, com bispo e relíquia. A deriva moderna foi deturpando à medida que se espalhava: a “Cloera” de Wilkins, a Bristol de Drake, o “956” de Edwards e a estante de Gravesend foram copiados de livro em livro ao longo dos anos 1970. Foi preciso Wonders in the Sky (2010), de Vallée e Chris Aubeck, para voltar aos Anais do Ulster e aos estudos de Carey.
Fontes: Navio aéreo de ClonmacnoiseNavios aéreos e mosteiros submarinos: a evolução de uma maravilha monásticaFlying Saucers on the AttackFlying Saucer Review: W. R. Drake, “Homens do espaço na Idade Média”, vol. 10, nº 3 (maio–junho de 1964); Donald B. Hanlon, “A odisseia texana de 1897”, vol. 12, nº 5 (setembro–outubro de 1966)Flying Saucers—Serious BusinessUFOs: Operation Trojan HorseWonders in the Sky: Unexplained Aerial Objects from Antiquity to Modern Times
Explicações
O que os analistas viram na década de 740 é uma questão em aberto. Uma aurora é uma sugestão: o historiador David Woods argumentou em 2000 que o latim deveria ser emendado para descrever nuvens ficando verdes, embora Elizabeth Boyle observe que isso exige reescrever demais o texto, e ela própria desconfia que a entrada registra um motivo literário, o navio no ar, e não uma observação. Outros apontam formas de nuvens: no século XIII, os monges de St Albans registraram uma nuvem parecida com um navio, e em 1796 o comerciante da Nova Escócia Simeon Perkins ouviu contar que uma menina em New Minas gritara ao nascer do sol e trouxera dois homens da casa para ver quinze navios no ar, tão próximos que se distinguiam os costados e as portinholas, com um homem à frente deles, de mão estendida; Perkins julgou que era “só imaginação, pois a nuvem ao nascer do sol poderia ter uma aparência assim”. Uma terceira leitura é uma miragem superior, que pode erguer navios reais acima do horizonte. O historiador irlandês James Hardiman lembrava-se de ter visto, quando menino, uma frota aérea do alto de um terreno perto de Croagh Patrick numa tarde de outono de 1798, visão que centenas de pessoas tomaram por sobrenatural até que foi atribuída à esquadra do almirante Warren, que perseguia uma frota francesa ao largo da costa oeste no ano do levante dos Irlandeses Unidos. Clonmacnoise, porém, fica muito para o interior. Por fim, Michael McCaughan põe a nota do século VIII ao lado da arte de seu próprio tempo: o Navio da Igreja, remando em direção ao céu, esculpido em pedras irlandesas como o pilar de Kilnaruane, no condado de Cork.
Fontes: Sobre as maravilhas da Irlanda: tradução e adaptaçãoViajantes na abóbada celeste: o fenômeno dos navios no céu na Irlanda medieval e alémNavio aéreo de Clonmacnoise
A questão do Texas
O despacho de Merkel é quase certamente uma farsa jornalística, uma das muitas da onda de dirigíveis de 1897, e sua semelhança com Gervásio é próxima demais para ser coincidência. Tem em comum com Gervásio os fiéis voltando da igreja, a pouca luz e a âncora presa, e com o Espelho do Rei o marinheiro que escapa e a âncora exposta ao público. Lucius Farish, citado por Keel, objetou que um cidadão de Merkel possuir um exemplar do Speculum Regale em 1897 “seria tão fantástico quanto os próprios relatos”. A nota distribuída “Um mar acima das nuvens” elimina essa objeção. Estava em circulação sete semanas antes de a história de Merkel ser publicada, e Vallée e Aubeck argumentam que ela inspirou o relato do Texas. Ninguém identificou quem escreveu o despacho de Merkel, e o paradeiro da âncora de Elliott e Miller, se é que ela existiu, é desconhecido.
Fontes: Um mar acima das nuvensUm mar acima das nuvens. Extraordinária superstição outrora corrente na InglaterraUFOs: Operation Trojan HorseWonders in the Sky: Unexplained Aerial Objects from Antiquity to Modern TimesNavio aéreo de Clonmacnoise
Nota sobre a classificação
O caso está arquivado como avistamento em massa porque o único registro contemporâneo descreve navios e tripulações vistos no céu, presumivelmente por mais de uma pessoa, sobre uma movimentada cidade monástica. Nenhum tipo de encontro próximo é atribuído. O marinheiro que desce, a âncora e o bispo que poupa o estranho são o núcleo da lenda, mas aparecem séculos depois do avistamento, em coleções literárias de maravilhas, e não podem ser remontados a nenhuma testemunha.
Fontes: Os Anais do Ulster (tradução), entradas U746.2, U748.3, U749.3–9, U755.2, U764.6, U786.3, U845.3Navios aéreos e mosteiros submarinos: a evolução de uma maravilha monásticaThe King’s Mirror (Speculum regale – Konungs skuggsjá), capítulo XI, “Maravilhas irlandesas de origem milagrosa”
- c. 548
São Ciarán funda o mosteiro de Clonmacnoise numa crista acima do Shannon.
- 743–763
Reinado de Domnall, filho de Murchad, sob o qual o Livro de Leinster mais tarde situa três navios sobre a feira de Teltown.
- 746
Os Anais do Ulster registram que “dragões foram vistos no céu”.
- 748
Uma neve de profundidade incomum mata quase todo o gado da Irlanda; segue-se a seca.
- 749
Navios com suas tripulações são vistos no ar sobre Clonmacnoise, no mesmo ano de um grande vendaval e do afogamento da comunidade de Iona.
- c. 815
Agobardo de Lyon denuncia a crença nos navios das nuvens vindos da Magônia e vê quatro supostos marinheiros do céu exibidos acorrentados, como se fossem ser apedrejados.
- 845
Os vikings de Turgéis incendeiam Clonmacnoise com seus oratórios.
- 944–956
Reinado de Congalach, filho de Máel Mithig, o rei da versão da lança e do salmão em Teltown.
- FIM DO SÉC. XI
O poema latino de Patrício de Dublin sobre as maravilhas da Irlanda inclui o navio visto no ar.
- 1122
Geoffroy de Vigeois registra a âncora de um navio celeste agarrada pelo povo de Londres.
- c. 1211
Gervásio de Tilbury fala de um marinheiro do céu que se afogou num adro britânico e de uma âncora transformada em ferragens da porta da igreja.
- c. 1250
O Espelho do Rei norueguês descreve a âncora presa acima da porta da igreja de “Cloena” durante a missa de domingo.
- SÉCS. XII–XV
Uma versão irlandesa, preservada em Edimburgo, leva o navio de volta a Clonmacnoise e lhe dá uma âncora.
- 1627
Conell Mageoghagan traduz os Anais de Clonmacnoise: “shipes seen in the skyes with their men”.
- 1844
Thomas Wright parafraseia a âncora de Gervásio e a junta à Magônia de Agobardo.
- 7 MAR 1897
“Um mar acima das nuvens” sai no Pine Bluff Daily Graphic.
- 28 ABR 1897
O Houston Post publica o despacho de Merkel, no Texas, sobre a âncora de um dirigível.
- 1954
Harold T. Wilkins reconta o navio demoníaco de “Cloera” em Flying Saucers on the Attack.
- 1966
Frank Edwards data a âncora irlandesa de 956; Donald Hanlon liga Merkel às histórias medievais.
- 1969
Passport to Magonia, de Jacques Vallée, reproduz as histórias da âncora.
- 1991
Seamus Heaney publica “Lightenings viii” em Seeing Things.
- 1992
John Carey traça a evolução da lenda nos Proceedings of the Harvard Celtic Colloquium.
- 5 OUT 1995
A Academia Sueca cita o poema de Clonmacnoise ao conceder a Heaney o Prêmio Nobel.
- ABR 2014
A tapeçaria Out of the Marvellous, de Peter Sís, é pendurada no Aeroporto de Dublin.
Fontes e entrevistas
As fontes permanecem no idioma original; seus títulos e descrições estão traduzidos.
Os Anais do Ulster (texto latino e irlandês), entrada U749.10Seán Mac Airt e Gearóid Mac Niocaill (orgs.), Dublin Institute for Advanced Studies, 1983 · CELT, University College CorkOs Anais do Ulster (tradução), entradas U746.2, U748.3, U749.3–9, U755.2, U764.6, U786.3, U845.3Seán Mac Airt e Gearóid Mac Niocaill (trad.), Dublin Institute for Advanced Studies, 1983 · CELT, University College CorkOs Anais de Tigernach (tradução), entradas T746.3, T748.3, T748.13Gearóid Mac Niocaill (trad., inédita) · CELT, University College CorkAnnals of the Kingdom of Ireland by the Four Masters, entrada M743.9John O’Donovan (org. e trad.), 1848–1851, vol. 1, p. 347 · CELT, University College CorkThe Annals of Clonmacnoise, being Annals of Ireland from the Earliest Period to A.D. 1408Conell Mageoghagan (trad.), 1627, org. Denis Murphy · Royal Society of Antiquaries of Ireland, Dublin, 1896 · Internet ArchiveO Livro de Leinster, antes Lebar na Núachongbála, lista dos reis (fól. 25b)R. I. Best, Osborn Bergin e M. A. O’Brien (orgs.), Dublin Institute for Advanced Studies · CELT, University College CorkDas maravilhas de Éire (Do ingantaib Érenn), maravilha nº 23James Henthorn Todd (org. e trad.), Leabhar Breathnach annso sis: The Irish Version of the Historia Britonum of Nennius, Irish Archaeological Society, Dublin, 1848, pp. 210–213 · CELT, University College CorkAs mirabilia irlandesas no “Speculum Regale” nórdicoKuno Meyer · Ériu, vol. 4, 1910, pp. 1–16 · Internet ArchiveSobre as maravilhas da Irlanda: tradução e adaptaçãoElizabeth Boyle · em Elizabeth Boyle e Deborah Hayden (orgs.), Authorities and Adaptations: The Reworking and Transmission of Textual Sources in Medieval Ireland, Dublin Institute for Advanced Studies, 2014 · acesso aberto da Maynooth UniversityThe King’s Mirror (Speculum regale – Konungs skuggsjá), capítulo XI, “Maravilhas irlandesas de origem milagrosa”Laurence Marcellus Larson (trad.), American-Scandinavian Foundation, Nova York, 1917, pp. 116–118 · Internet ArchiveSpeculum regale. Konungs-skuggsjáR. Keyser, P. A. Munch e C. R. Unger (orgs.), Christiania, 1848, pp. 27–28 · Internet ArchiveDes Gervasius von Tilbury Otia imperialia, in einer Auswahl neu herausgegeben (livro I, capítulo 13, “De mari”)Felix Liebrecht (org.), Carl Rümpler, Hanôver, 1856, pp. 2–3 · Internet ArchiveLiber contra insulsam vulgi opinionem de grandine et tonitruisAgobardo de Lyon, c. 815 · Patrologia Latina vol. 104, cols. 147–148 · Wikisource (em latim)Navio aéreo de ClonmacnoiseWikipédia em inglêsClonmacnoiseWikipédia em inglêsNavios aéreos e mosteiros submarinos: a evolução de uma maravilha monásticaJohn Carey · Proceedings of the Harvard Celtic Colloquium, vol. 12, 1992, pp. 16–28 · JSTORQuando um relato de avistamento não é um relato de avistamentoBryan Sentes · blog Skunk Works · 8 de setembro de 2019 · sobre o artigo de Carey de 1992Viajantes na abóbada celeste: o fenômeno dos navios no céu na Irlanda medieval e alémMichael McCaughan · Material Culture Review, vol. 48, outono de 1998St. Patrick’s Purgatory: An Essay on the Legends of Purgatory, Hell, and ParadiseThomas Wright · John Russell Smith, Londres, 1844, pp. 27–29 · Internet ArchiveUm mar acima das nuvens. Extraordinária superstição outrora corrente na InglaterraNota distribuída do Boston Post · The Virginia Enterprise (Virginia, Minnesota), 2 de abril de 1897, p. 2 · Library of Congress, Chronicling AmericaUm mar acima das nuvensPine Bluff Daily Graphic (Pine Bluff, Arkansas), 7 de março de 1897, p. 2 · Library of Congress, Chronicling AmericaFlying Saucers on the AttackHarold T. Wilkins · Citadel Press, Nova York, 1954, capítulo VIII · Internet ArchiveFlying Saucers UncensoredHarold T. Wilkins · Citadel Press, Nova York, 1955 · Internet ArchiveFlying Saucer Review: W. R. Drake, “Homens do espaço na Idade Média”, vol. 10, nº 3 (maio–junho de 1964); Donald B. Hanlon, “A odisseia texana de 1897”, vol. 12, nº 5 (setembro–outubro de 1966)Flying Saucer Review, Londres · coleção do Internet ArchiveFlying Saucers—Serious BusinessFrank Edwards · Lyle Stuart, Nova York, 1966, capítulo 1 · Internet ArchivePassport to Magonia: From Folklore to Flying SaucersJacques Vallée · Henry Regnery, Chicago, 1969 · Internet ArchiveUFOs: Operation Trojan HorseJohn A. Keel · G. P. Putnam’s Sons, Nova York, 1970, pp. 183–185 · Internet ArchiveWonders in the Sky: Unexplained Aerial Objects from Antiquity to Modern TimesJacques Vallée e Chris Aubeck · Tarcher/Penguin, Nova York, 2010 · Internet ArchivePrêmio Nobel de Literatura de 1995: comunicado à imprensaAcademia Sueca · 5 de outubro de 1995 · NobelPrize.orgPoesia em movimento: tapeçaria em homenagem a Seamus HeaneyKathy Sheridan · The Irish Times · 19 de abril de 2014O mar superior da IrlandaAmelia Soth · JSTOR Daily · 31 de agosto de 2023Encontrou um erro ou conhece uma fonte melhor? Escreva para hello@uap.fun.
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