Quatro da manhã na avenida Lenin
Em 1977, Petrozavodsk era a capital da República Socialista Soviética Autônoma da Carélia, uma cidade de mais de duzentos mil habitantes na margem ocidental do lago Onega, cerca de 300 quilômetros a nordeste de Leningrado e a menos de 200 da fronteira finlandesa. Pedro, o Grande, a fundara como uma fundição de ferro, e sua estátua se erguia no cais, apontando para a água. A noite de 19 para 20 de setembro estava fria. Mais cedo havia caído neve molhada; às quatro da manhã o céu tinha clareado, cristais de gelo flutuavam no ar e havia geada sobre as flores e a grama. Violetta Ivanovna Menkova, médica de plantão noturno do serviço de ambulâncias da cidade, havia recolhido um paciente na rua Meretskov e seguia para o hospital municipal pela rua Antikainen com seu motorista, Vyacheslav Savin, e a feldsher, ou paramédica, Valentina Svistunova. Menkova olhou para cima por acaso. O céu estava negro e cheio de estrelas, escreveu ela num depoimento telegrafado à Academia de Ciências em 23 de setembro, e entre elas havia uma estrela especialmente brilhante que irradiava um clarão.

Fontes: Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)
Como uma água-viva, só que mais transparente
A estrela estava dentro de uma espécie de nuvem fina, e dela partiam raios curvos “como fios brancos”. Eram quatro horas. O primeiro pensamento de Menkova foi que se tratava de um satélite que sumiria num instante, mas ele não sumiu, e ela o mostrou a Savin e Svistunova. Quando dobraram na avenida Lenin, rumo ao lago, a estrela continuava a se mover devagar; parecia estar alta, na atmosfera superior, e ao mesmo tempo perto. Sobre o lago Onega, ela pareceu se imobilizar e começar a baixar, enquanto a nuvem ao seu redor se espalhava. “Dava para compará-la a uma água-viva”, escreveu ela, “só que ainda mais transparente, a um paraquedas, a um gorro com a estrela brilhando no centro.” Então algo se desprendeu da estrela como um feixe de luz, e na ponta do feixe surgiu “um pequeno pires ou um anel oval”, luminoso, que baixou e desapareceu. “Era tudo tão inexplicável, irreal, fantástico que veio o pensamento de uma nave que tivesse voado de outro planeta”, escreveu ela. Aurora boreal, meteorito, satélite: nada se encaixava, “e deu medo. Não queríamos ir naquela direção e, ao mesmo tempo, era muito curioso, queríamos olhar.” Não havia som algum. Quando chegaram ao hospital, a estrela estava se afastando e baixando, com a nuvem se esticando numa cauda e depois num rastro nebuloso. Eles a observaram por sete ou oito minutos.
Fontes: Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)
A outra ambulância
A de Menkova não era a única ambulância nas ruas. Vladimir Alekseevich Belyaev, motorista de outra equipe, havia entrado num pátio da rua Anokhin, 37-b, para um atendimento por volta das quatro. Às 4h05 ou 4h10, escreveu ele, o céu acima do telhado em frente começou a clarear, surgiu um halo estranho e depois um ponto luminoso do tamanho de um poste de luz, do qual saíam “jatos de alguma substância fina” que encheram a maior parte do céu. Quando a bola de fogo chegou ao cabo da Ursa Maior, os jatos pararam, o céu em volta escureceu, e ela desceu em linha reta, ainda brilhando e encolhendo, até cair atrás do prédio. Ao sair para a avenida Lenin, ele viu, acima das nuvens além do lago, um oval irregular “formado como que pelo rastro de um avião a jato”, rosado em cima e fortemente iluminado embaixo. Na central de ambulâncias, a feldsher Valentina Khramtsova, que cochilava num sofá depois de um atendimento, foi acordada pouco depois das quatro por “risadas e gritos muito altos, não naturais” na rua. Eram Menkova e seus colegas, que não conseguiam se acalmar. Svistunova lhe disse, palavra por palavra, tal como Khramtsova se lembrava: “O mais provável é que fosse algo muito grande, como uma água-viva com alguma coisa se mexendo dentro. Esse monstro vinha para cima do nosso carro, e ficamos com muito medo.” Khramtsova correu para fora a tempo de ver um anel oval sobre o lago, como um rastro de condensação curvado, com uma mancha de fogo no meio.
Fontes: Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)
Uma cidade acordada
Dezenas de outras pessoas em Petrozavodsk estavam acordadas às quatro da manhã, e muitos de seus relatos chegaram depois à Academia. Uma patrulha da milícia na estrada de Shuya parou para ver um ponto inchar até virar um círculo imenso; o motorista, Alexander Egorov, disse que tinha “mais ou menos o diâmetro de uma explosão atômica” e que a bola brilhante que saiu dele deixava três faixas, “como se tivesse três motores”. Seu comandante, Alexander Antropov, havia trabalhado nas Terras Virgens, perto de Baikonur: “Já vi o rastro de um foguete sendo lançado, mas isso não tinha nada a ver.” Ele achou que era um cometa. Os dois discutiram; enquanto a coisa estava parada, disse Antropov, Egorov falava bobagens, e quando ela foi embora ele a chamou de foguete. Na estação de cargas, a manobreira A. P. Guseva gritou pelo alto-falante: “Plantonista, olhe para o céu!” Estivadores que descarregavam um cargueiro no porto fluvial estavam no intervalo da refeição; o operador de guindaste Andrei Akimov, de vinte e seis anos, pintor amador, foi para casa e pintou as etapas em cores. Vasily Barkhatov, funcionário do aeroporto e ex-piloto, cronometrou: uma luz como Vênus subindo no rumo de 240 graus, parando a cerca de cinquenta graus de altura, abrindo uma “água-viva, guarda-chuva, paraquedas” de luz branco-azulada por dez ou doze minutos e depois partindo no rumo de 30 graus. “Em sua beleza, o clarão era indescritível.” Quando Tamara Tikhonova, secretária, saía de uma cabine telefônica na avenida Lenin, sentiu algo grande passar num relance à altura do seu olho esquerdo; viu um objeto redondo seguir por cima do lago, tornar-se ígneo e “cair no céu”, deixando um buraco iluminado de onde saíam dois jatos luminosos. Ela foi para casa com medo de ter enlouquecido e, às 5h20, chamou uma ambulância com dores no peito. Khramtsova foi a feldsher que atendeu e lhe contou que as equipes de ambulância tinham visto uma bola de fogo; Tikhonova guardou para si o próprio avistamento, mas ficou aliviada ao saber que estava sã.
Fontes: Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)Исследование Петрозаводского университета (O estudo da Universidade de Petrozavodsk)Феномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данных
De Helsinque ao mar Branco
Petrozavodsk foi o centro da história, mas não do céu. Os relatos que a Academia reuniu nos meses seguintes vinham da costa finlandesa ao mar Branco e, ao sul, até a Estônia. No aeroporto de Pulkovo, nos arredores de Leningrado, o controlador B. N. Blagirev viu por volta das 3h55 uma bola de fogo baixa no norte, um pouco maior que o planeta ao seu lado, com os raios divididos em setores que ondulavam como um letreiro cujas lâmpadas acendem em sequência, “nada parecido com a aurora boreal”. Um avião Tu-154 a 12.000 metros relatou um cone escuro dentro da bola; o radar mostrava o avião e mais nada. O chefe do turno da noite acrescentou que duas tripulações que chegavam, de Moscou e de Minsk, tinham visto luzes no caminho. Em Sortavala, às margens do lago Ladoga, três aerólogos e uma meteorologista da estação meteorológica observaram a partir das 4h10, por cerca de quinze minutos, uma estrela que chegou depressa do nordeste, desacelerou e ficou parada, desenvolveu uma elipse branco-azulada com nervuras que lembravam “os tentáculos de um polvo” e por fim pareceu sugar o clarão para dentro de si, que então tomou a forma de um rabo de peixe. Uma equipe ferroviária perto de Podporozhye viu uma concha se estender por metade do horizonte. Em Lekhta, perto do mar Branco, uma expedição do IZMIRAN, o instituto de magnetismo terrestre da Academia, viu três pontos semelhantes a estrelas incharem um depois do outro enquanto uma forte aurora estava em curso. Em Helsinque, um clarão ofuscante veio às 3h06, hora finlandesa, ou seja, 4h06 em Moscou. Em sua dacha perto de Namoevo, o filósofo e poeta Yuri Linnik havia apontado um grande refrator escolar, com aumento de oitenta vezes, para uma “lente de ametista” violeta por volta das três da manhã; contou nela exatamente dezesseis bocais que lançavam raios vermelhos para baixo (“Tenho certeza de que eram exatamente dezesseis!”) e chamou a coisa de organismo cósmico.

Fontes: Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)Феномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данныхЗагадка природы (Um enigma da natureza)Над Хельсинки вспыхнуло небо (O céu se inflamou sobre Helsinque)Дополнение к отчету от 20 октября 1977 г. (Suplemento ao relatório de 20 de outubro de 1977)O fenômeno de Petrozavodsk, capítulo 1: a expedição de janeiro de 1978 e os furos nas janelas
Molniya de Petrozavodsk
Nikolai Petrovich Milov, correspondente na Carélia da TASS, a agência estatal de notícias soviética, soube das equipes de ambulância naquela mesma manhã. Antes que o dia terminasse, mandou para Moscou um telegrama de serviço marcado “Molniya” (“relâmpago”), a prioridade máxima da agência, sob o título “Um fenômeno natural incomum”. Sua versão era mais dramática do que qualquer coisa que as testemunhas puseram por escrito. Fundia as equipes de Menkova e de Belyaev numa só, rebatizava a médica de Valentina e fazia uma estrela enorme “enviar impulsivamente feixes de luz à terra”, pairando sobre a cidade “como uma água-viva marinha” e “derramando sobre a cidade uma infinidade de finíssimos jorros de raios, que criavam a imagem de uma chuva torrencial”. A equipe, escreveu ele, fora tomada por “uma sensação de medo e de desgraça”, e o motorista parara o carro e desligara o motor por segurança. Outros motoristas, acrescentou, tinham visto o mesmo quadro por dez a doze minutos, e um soldado de guarda numa unidade aérea vira o céu brilhar em vermelho duas horas antes. Ele citava Yuri Arsenievich Gromov, diretor do observatório hidrometeorológico da Carélia: o serviço meteorológico jamais observara nada parecido. Milov telefonou ao observatório de Pulkovo, perto de Leningrado, onde alguém lhe disse que os cientistas haviam registrado um fenômeno estranho naquela manhã, mas ainda não iam comentá-lo.
Fontes: Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)Инопланетяне и султанчик кактуса (Os alienígenas e o tufo do cacto)Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)
Para os jornais, e para fora deles
Em 23 de setembro, a nota saiu em alguns jornais centrais como “Fenômeno natural não identificado”, um título que Lev Gindilis, o astrônomo que conduzia o inquérito informal da Academia, achou que sugeria discos voadores, por acaso ou de propósito. Ela mantinha a água-viva, a chuva torrencial e os dez a doze minutos das testemunhas, e acrescentava uma frase tranquilizadora de Vladimir Krat, diretor do observatório de Pulkovo, sobre uma brilhante bola de fogo que cruzara o céu de sul a norte e que os astrônomos de Pulkovo também tinham visto. Gindilis e seu colega de compilação acreditavam que, sem o comentário de Krat, a nota jamais teria sido publicada. Quais jornais a publicaram é, em si, uma questão disputada: eles listam a edição de província do Pravda, o Izvestia, o Selskaya Zhizn e o Sotsialisticheskaya Industriya; a história de 2000 escrita por Yulii Platov e Boris Sokolov, que mais tarde coordenaram o programa estatal, cita só o Izvestia; Milov cita o Sotsialisticheskaya Industriya e o Komsomolskaya Pravda. Milov, escrevendo em 2010, contou os bastidores tal como os ouviu de um amigo bem situado. Na tarde de 22 de setembro, escreveu ele, Leonid Zamyatin, o chefe da TASS, ligou para o Ministério da Defesa pela linha interna do Kremlin e ouviu de um vice-ministro com patente de marechal: “A nota em si é inofensiva, mas publicá-la neste momento é indesejável.” Zamyatin então enviou aos jornais uma Molniya própria, derrubando a matéria, de modo que só as edições periféricas de alguns jornais centrais, já nas rotativas longe de Moscou, a imprimiram. O motivo do marechal, no relato de Milov, era a explosão de um lançamento no cosmódromo de Plesetsk naquele mesmo dia, mas o catálogo de lançamentos mantido pelo astrônomo Jonathan McDowell não registra nenhum lançamento de Plesetsk em 22 de setembro.
Fontes: Неопознанное явление природы (Fenômeno natural não identificado)Вместо предисловия (Em lugar de um prefácio)Изучение неопознанных летающих объектов в СССР (O estudo dos objetos voadores não identificados na URSS)Инопланетяне и султанчик кактуса (Os alienígenas e o tufo do cacto)General Catalog of Artificial Space Objects: lista de lançamentos, registro 1977-091
“Cópia fiel”
Felix Zigel, o astrônomo do Instituto de Aviação de Moscou que passara uma década tentando fazer a ciência soviética levar os OVNIs a sério, telefonou a Gindilis na noite de 22 de setembro. Gromov, enquanto isso, fizera algo incomum: mandou os depoimentos das testemunhas a Moscou pelo teletipo oficial do observatório, cada um certificado como “cópia fiel”, o que lhes dava, escreveu Gindilis, um status plenamente oficial. Em 24 de setembro, o jornal local, o Leninskaya Pravda, publicou sua própria entrevista com Belyaev e Menkova sob a manchete “Um ‘visitante cósmico’ sobre Petrozavodsk”, mencionando uma mulher numa cabine telefônica e outra correndo para a farmácia, e arriscando um meteorito. Em uma semana, o presidium da Academia, seu órgão dirigente, queria um relatório para a liderança. Corria o boato de que a pergunta viera do topo; Gindilis supôs mais tarde que fosse Yuri Andropov, o presidente da KGB, que havia dirigido o Komsomol, a liga da juventude comunista, na Carélia e os partisans de lá durante a guerra, e chamou isso de “só a minha hipótese”. Sua primeira nota, com dados até 30 de setembro, apontava o Kosmos-955 como uma explicação tentadora, mas omitia de propósito o local de lançamento, Plesetsk, porque não devia levar nenhum carimbo de sigilo. Em 20 de outubro, ele, D. A. Menkov e I. G. Petrovskaya concluíram um relatório de cinquenta e duas páginas marcado “Para uso oficial”. Naquele outono, o Ministério das Relações Exteriores também consultou a Academia sobre OVNIs, antes de um debate nas Nações Unidas, onde Granada pressionava pela criação de um órgão da ONU para estudá-los.
Fontes: O fenômeno de Petrozavodsk, capítulo 1: o relato de Lev Gindilis sobre o inquérito, setembro–dezembro de 1977Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)Феномен 20 сентября 1977 г. Предварительный анализ (dados até 30 de setembro de 1977)Феномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данныхДополнение к отчету от 20 октября 1977 г. (Suplemento ao relatório de 20 de outubro de 1977)Grenadian Unidentified Flying Object Resolution
Furos no vidro
Em outubro veio o detalhe que viajaria mais longe. No quinto andar da avenida Oktyabrsky, 70, no apartamento do escritor e arqueólogo A. Linevsky, cujas janelas davam para o lago, a vidraça externa tinha um furo quase redondo de cinco centímetros de diâmetro e a interna um furo elíptico de nove por sete, com bordas lisas “como se derretidas” e os centros alinhados numa inclinação de trinta graus; a rodela redonda da vidraça interna caíra intacta. O relatório de outubro observava que era possível fazer o ângulo apontar para a posição da luz. Quando Petrovskaya falou com o dono, porém, descobriu-se que os furos haviam aparecido na noite de 5 para 6 de outubro, duas semanas depois do fenômeno. Outros apareceram, cerca de quinze vidraças danificadas em cinco prédios perto da avenida Lenin e do lago, algumas sem data e uma possivelmente anterior ao fenômeno. O caso mais estranho veio na noite de Ano-Novo: por volta das quatro da manhã de 1º de janeiro de 1978, moradores da rua Dzerzhinsky, 12, ouviram um estrondo surdo, sentiram o prédio estremecer e viram um clarão, e encontraram sete vidraças furadas em quatro apartamentos ao longo de uma diagonal, com galhos de tília recém-quebrados alinhados com elas. V. V. Kovalevsky, do Instituto de Geologia, sugeriu uma fonte poderosa de energia do tipo do raio globular. Com a ajuda das autoridades locais, as vidraças foram retiradas em pleno inverno e o vidro foi levado a Moscou. O instituto de pesquisa do Ministério do Interior, que examinou as vidraças de Linevsky e sua rodela, informou em 12 de abril de 1978 que os furos tinham sido feitos por bolinhas de metal disparadas de um estilingue e deu a questão por encerrada; o Instituto Óptico Estatal não encontrou vestígio de derretimento e culpou uma onda de choque fraca. Gindilis achou o laudo do estilingue uma desconversa e escreveu que o assunto foi enterrado em silêncio. Até Zigel admitiu que todos os furos haviam sido encontrados em outras datas que não 20 de setembro e que nada os ligava ao fenômeno.
Fontes: O fenômeno de Petrozavodsk, capítulo 1: a expedição de janeiro de 1978 e os furos nas janelasФеномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данныхОб аномальных отверстиях в оконных стеклах г. Петрозаводска (Sobre os furos anômalos nos vidros de janelas em Petrozavodsk)Исследование ВНИИ МВД (O estudo do instituto de pesquisa do Ministério do Interior)Заключение Государственного оптического института (Conclusões do Instituto Óptico Estatal)Главный Петрозаводский объект (O principal objeto de Petrozavodsk)
Os astrônomos dormiram no ponto
Em 2 de janeiro de 1978, o vice-presidente da Academia, Vladimir Kotelnikov, escreveu à filial da Carélia que a Academia estava enviando “um grupo de especialistas” para apurar no local as circunstâncias de “um raro fenômeno atmosférico de 20 de setembro de 1977”. Gindilis, Petrovskaya, A. N. Makarov, do departamento de física e astronomia da Academia, e Boris Sokolov, então tenente-coronel ligado à Seção de Problemas Aplicados da Academia e porta-voz do Ministério da Defesa, passaram cerca de uma semana em Petrozavodsk. Fizeram uma exposição ao conselho militar do exército local; quando Gindilis explicou que os astrônomos de Pulkovo não estavam observando naquela noite nublada e que Krat soubera do acontecimento por telefone, pelo aeroporto, um general comentou bem-humorado: “Entendi, então os astrônomos dormiram no ponto.” No aeroporto de Petrozavodsk, depois que Gindilis entrevistou os funcionários, um miliciano lhe pediu, sem explicação, que fosse até o posto, onde uma mulher, aparentemente do bufê, foi trazida para identificá-lo e, visivelmente constrangida, não conseguiu. Quem quis aquilo, ele nunca descobriu. Verificações anteriores já tinham dado resultado: medições de radiômetro no lago Onega e na baía, em outubro, não mostravam mudança na radioatividade desde 1973, e uma psicóloga clínica que entrevistou nove testemunhas em novembro as achou inteiramente normais e sinceras. O trabalho de campo prosseguiu durante 1978. Pela Universidade de Petrozavodsk, A. G. Mezentsev e depois N. L. Telepnev voltaram a cinquenta e nove testemunhas com um teodolito e pediram que apontassem onde a luz estivera; os ângulos a situavam a onze a dezenove quilômetros de distância, a uma altura de seis a sete quilômetros e meio, muito longe da fronteira do espaço.

Fontes: Carta de V. A. Kotelnikov, vice-presidente da Academia de Ciências da URSS, a V. A. Sokolov, da filial da CaréliaO fenômeno de Petrozavodsk, capítulo 1: a expedição de janeiro de 1978 e os furos nas janelasProtocolo sobre a radioatividade da água do lago OnegaSobre o estado psicológico das testemunhasИсследование Петрозаводского университета (O estudo da Universidade de Petrozavodsk)
Um programa secreto chamado Setka
O efeito duradouro da água-viva foi burocrático. Segundo Platov e Sokolov, o presidente da Academia, Anatoly Alexandrov, escreveu a Leonid Smirnov, o vice-primeiro-ministro que presidia a Comissão Militar-Industrial, encarregada de supervisionar a indústria bélica soviética, e o conselho técnico-científico da comissão se reuniu no Kremlin sob o comando do tenente-general B. A. Kiyasov. Kiyasov resumiu a carta de Alexandrov numa frase: a Academia de Ciências “não pode mais ignorar, nem consegue explicar, fenômenos anômalos semelhantes ao observado em setembro de 1977 em Petrozavodsk”. A carta pedia um estudo conjunto com o Ministério da Defesa. Membros do conselho disseram que relatos desse tipo também chegavam ao exército, às vezes acompanhados de falhas de equipamento. Platov e Sokolov escreveram ainda que haviam chegado consultas oficiais de Estados vizinhos do norte da Europa perguntando se estava em curso algum experimento militar perigoso, embora não tenham apresentado nenhuma carta desse tipo. O resultado foram dois temas de pesquisa, chamados Setka (“rede”), no plano secreto de defesa a partir de 1978: “Setka MO”, para o Ministério da Defesa, sobre como os fenômenos afetavam equipamentos e pessoal, e “Setka AN”, para a Academia, sobre sua natureza física, sob a responsabilidade do acadêmico Vladimir Migulin, do IZMIRAN. Os documentos oficiais evitavam a palavra “OVNI” e preferiam “fenômeno anômalo”. O programa funcionou sem interrupção até 1990. Platov situa a reunião decisiva do conselho em outubro de 1977; o diário de Gindilis registra os acadêmicos reunidos no Instituto de Pesquisas Espaciais em 1º de novembro e a sessão decisiva na Comissão Militar-Industrial em 21 de dezembro. O próprio Gindilis foi então afastado do trabalho, em parte, acreditava ele, por causa de uma denúncia que o acusava de ser maçom.
Fontes: Изучение неопознанных летающих объектов в СССР (O estudo dos objetos voadores não identificados na URSS)History of State UFO Research in the USSRO fenômeno de Petrozavodsk, capítulo 1: o relato de Lev Gindilis sobre o inquérito, setembro–dezembro de 1977
O cosmódromo que não existia
Plesetsk, nas florestas do oblast de Arkhangelsk, a uns 340 quilômetros a leste-nordeste de Petrozavodsk, lançou mais satélites do que qualquer outro lugar do mundo nos anos 1970 e, oficialmente, não existia. Satélites de reconhecimento americanos o haviam fotografado nos anos 1960, e Moscou só o reconheceu pela primeira vez no Pravda em 1983, quando um artigo admitiu que seus lançamentos haviam contribuído de modo substancial para a lenda dos discos voadores. Às 01h00min59s, tempo universal, de 20 de setembro de 1977, ou seja, 4h00min59s em Moscou e em Petrozavodsk, um foguete Vostok decolou da plataforma 43/4 de lá levando um satélite de inteligência eletrônica Tselina-D, anunciado pela TASS apenas como Kosmos-955, um satélite com aparelhagem científica “para a continuação do estudo do espaço cósmico”. A órbita tinha inclinação de 81,2 graus, de modo que o foguete subiu rumo ao norte-nordeste. Em Houston, o analista espacial James Oberg leu a história da água-viva, telefonou a um amigo que mantinha registros dos satélites soviéticos e conferiu o horário. “A identificação é 100% certa”, disse ele naquele outono ao The Zetetic, hoje Skeptical Inquirer. O New York Times noticiou a explicação do foguete em 30 de setembro, e em outubro a Science News deu a manchete “OVNI soviético se deve a lançamento secreto”. Na Finlândia, Matti Kivinen, do observatório geofísico de Nurmijärvi, já havia dito aos repórteres que provavelmente se tratava do corpo de um foguete ou de um satélite e rejeitado a conversa sobre discos voadores.

Fontes: General Catalog of Artificial Space Objects: lista de lançamentos, registro 1977-091«Космос-955»Russians probing UFO mysteries after rash of bizarre sightingsSoviet “jellyfish UFO”The UFO EnigmaНад Хельсинки вспыхнуло небо (O céu se inflamou sobre Helsinque)The Great Soviet UFO Coverup
Como um foguete vira água-viva
A explicação de Oberg, e a que Platov e Sokolov deram mais tarde de dentro do programa, tem a ver com luz e altura. Um foguete que sobe pelo ar rarefeito acima de uns cem quilômetros deixa uma nuvem de gases de exaustão e partículas que se espalha depressa, a até dois quilômetros por segundo num lançamento de Plesetsk fotografado pelo programa. Às quatro da manhã o chão estava no escuro, mas o sol, ainda abaixo do horizonte para quem estava em terra, podia iluminar uma nuvem tão alta, e assim um vasto sino luminoso surgia num céu negro e estrelado, silencioso, com seus filamentos iluminados por trás. Oberg achava que os “tentáculos” eram os rastros dos motores separados do propulsor. Visto a centenas de quilômetros, um foguete em subida quase não muda de direção e parece crescer, parar e pairar, depois encolher à medida que se afasta. Os coordenadores do programa escreveram que lançamentos de foguetes e balões de grande altitude respondiam por mais de nove décimos dos cerca de três mil relatos reunidos pelo programa soviético, e destacaram o fenômeno de Petrozavodsk como o primeiro e mais famoso caso de foguete. Acrescentaram que “vários efeitos adicionais” se deviam a um lançamento de teste malsucedido de um míssil balístico na mesma região, praticamente no mesmo horário; não deram data, tipo nem fonte, e o catálogo de McDowell, cujo registro dos testes de mísseis soviéticos não é completo, não lista nenhum lançado de Plesetsk naquele dia.

Fontes: History of State UFO Research in the USSRИзучение неопознанных летающих объектов в СССР (O estudo dos objetos voadores não identificados na URSS)Soviet “jellyfish UFO”Soviet SaucersThe Great Soviet UFO CoverupGeneral Catalog of Artificial Space Objects: lista de lançamentos, registro 1977-091
“Nem eu nem meus colegas ficamos entusiasmados”
Migulin, o acadêmico posto à frente do Setka AN, nunca foi um entusiasta. “Nem eu nem meus colegas ficamos entusiasmados”, disse ele ao semanário Nedelya em 1985, quando deu aos leitores sua explicação: uma rara coincidência entre o lançamento do Kosmos-955, uma forte tempestade magnética e um experimento de seu próprio instituto que estava emitindo ondas de rádio de baixa frequência contra a ionosfera. A Jacques Vallée, que o entrevistou em Moscou nos anos da glasnost, ele foi mais direto: tinha sido um lançamento secreto de foguete, e a verdadeira explicação não fora divulgada. A TASS havia anunciado o Kosmos-955 com sua fórmula de sempre, com a data, a órbita e a aparelhagem “funcionando normalmente”, mas sem uma palavra sobre onde ou a que horas fora lançado, e Oberg argumentou que Moscou preferia deixar o Ocidente especulando sobre OVNIs a deixá-lo perguntar sobre Plesetsk.

Fontes: Жажда чуда (Sede de milagres)UFO Chronicles of the Soviet Union: A Cosmic Samizdat«Космос-955»The Great Soviet UFO Coverup
A água-viva cresce
A história não esperou pela explicação. Gordon Creighton traduziu a nota da TASS para a Flying Saucer Review em janeiro de 1978 sob o título “A Russian ‘Jellyfish’” (“Uma ‘água-viva’ russa”), e a Fate publicou “Jellyfish in the Sky” (“Água-viva no céu”). Numa palestra de novembro de 1977 para funcionários da agência de notícias Novosti, traduzida no MUFON UFO Journal, o ufólogo Vladimir Azhazha fez o objeto traçar um oito gigante sobre Pulkovo e lançar um feixe que voou ao longo da avenida Lenin. Ao jornalista americano Henry Gris, o escritor de ficção científica Alexander Kazantsev disse que era uma nave espacial de outro planeta, e Milov falou de furos do tamanho de um ovo de galinha nas janelas e de quatro fotografias coloridas tiradas por um engenheiro civil; Kazantsev disse que os diapositivos coloridos tinham sido confiscados. Na versão de Gris de 1984 para o National Enquirer, que transferiu a água-viva para setembro de 1983, o pânico tomara as ruas e tropas haviam isolado a estação ferroviária. A pintura de Akimov virou medição: Milov comparou a água-viva com um cargueiro de 116 metros que aparece no quadro e chegou a 105 metros, um número que a coletânea de Gindilis e Kolpakov de 1999 anotou em rodapé como “conclusões completamente insustentáveis”. Zigel contou quarenta e oito OVNIs naquela noite, de Copenhague ao Altai, e reproduziu um ensaio de Linnik que relatava rosas florescendo pela segunda vez em seu jardim e concluía que, desde a noite de 20 de setembro de 1977, ele estava inclinado a pensar que os OVNIs “trazem o bem ao nosso planeta”. O editor de ciência do Pravda respondeu em 1980 com “A lenda dos alienígenas”. Para os ufólogos soviéticos posteriores, aquela noite foi o ano zero: a partir dela, escreveu Marina Popovich, “contamos nossos encontros oficiais em simpósios, conferências etc.”. Os jornais de Petrozavodsk ainda marcam seus aniversários, e o relato de um jornalista local tem taxistas fugindo do que tomaram por uma bomba de nêutrons e arrombando uma loja de vinhos no caminho, porque se dizia que o vinho era bom contra o estrôncio.
Fontes: Russians probing UFO mysteries after rash of bizarre sightingsJellyfish in the SkyAre We Alone in the Universe?URSS e UFORussians probing UFO mysteries after rash of bizarre sightingsСообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)Ложь и правда о Петрозаводском феномене (Mentiras e verdades sobre o fenômeno de Petrozavodsk)Главный Петрозаводский объект (O principal objeto de Petrozavodsk)UFO Over Planet EarthЯркая звезда в виде медузы вспыхнула над Петрозаводском (Uma estrela brilhante em forma de água-viva se acendeu sobre Petrozavodsk)Загадочный «Петрозаводский феномен» отпраздновал свое 40-летие (O misterioso «fenômeno de Petrozavodsk» completa quarenta anos)
O que sobrevive
Poucos casos de OVNIs dos anos 1970 deixaram um rastro documental tão completo. Gindilis e Yuri Kolpakov o publicaram na íntegra em 1999 como O fenômeno de Petrozavodsk, que está on-line: os próprios depoimentos das testemunhas, alguns telegrafados em até três dias e certificados por Gromov; o teletipo da TASS; as notas dos jornais da Carélia, de Sortavala e dos jornais centrais; os relatórios da Academia de 30 de setembro e 20 de outubro de 1977 e de janeiro de 1978; o estudo com teodolito da universidade, o protocolo de radioatividade e as anotações da psicóloga; os laudos do Ministério do Interior e do Instituto Óptico Estatal sobre as janelas; e cópias de muitos desenhos das testemunhas. As pinturas de Akimov não estão entre eles. O lançamento está documentado no anúncio da TASS e no catálogo de McDowell. Não há registro de nenhuma fotografia do lado soviético: as três chapas de uma testemunha do Ladoga não saíram, e as fotos confiscadas só existem nas entrevistas de Gris. Platov e Sokolov, e o astrônomo finlandês Pekka Teerikorpi, dizem que testemunhas finlandesas fotografaram a manifestação, mas essas imagens não foram publicadas com o caso.
Fontes: Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)Феномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данныхДополнение к отчету от 20 октября 1977 г. (Suplemento ao relatório de 20 de outubro de 1977)Исследование Петрозаводского университета (O estudo da Universidade de Petrozavodsk)Исследование ВНИИ МВД (O estudo do instituto de pesquisa do Ministério do Interior)Заключение Государственного оптического института (Conclusões do Instituto Óptico Estatal)General Catalog of Artificial Space Objects: lista de lançamentos, registro 1977-091«Космос-955»URSS e UFOHistory of State UFO Research in the USSRRussians probing UFO mysteries after rash of bizarre sightings
As contradições
Os horários vão de cerca das 2h ao amanhecer. O relatório de outubro da Academia descreveu três fases: avistamentos esparsos de cerca das 3h às 4h, uma manifestação principal que começou entre 4h00 e 4h05 e foi vista quase simultaneamente em toda a região por dez a quinze minutos, e um clarão que persistiu até o dia clarear. A nota da TASS dava os dez a doze minutos das testemunhas, Menkova observou por sete ou oito, a equipe ferroviária de Podporozhye por quinze ou vinte, e as fontes de Gris falavam em catorze minutos ou um bom quarto de hora. As direções divergem tanto quanto: a bola de fogo de Krat foi de sul a norte, os meteorologistas de Sortavala viram a sua vir do nordeste rumo ao sudoeste, e a de Barkhatov girou 150 graus. O despacho de Milov, a versão que o mundo leu, fundiu duas equipes de ambulância, rebatizou a médica e acrescentou a chuva torrencial, a sensação de desgraça e o motor desligado; nem o depoimento de Menkova nem o de Belyaev mencionam chuva. O comentário impresso de Krat dizia que os astrônomos de Pulkovo estavam observando, enquanto Gindilis ouviu que eles não estavam observando coisa alguma. Quais jornais publicaram a nota da TASS, a data da reunião no Kremlin e se o radar do aeroporto de Helsinque acompanhou o objeto, como a UPI noticiou e a Academia repetiu, são questões disputadas.
Fontes: Феномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данныхНеопознанное явление природы (Fenômeno natural não identificado)Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)Загадка природы (Um enigma da natureza)Сообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)O fenômeno de Petrozavodsk, capítulo 1: a expedição de janeiro de 1978 e os furos nas janelasИзучение неопознанных летающих объектов в СССР (O estudo dos objetos voadores não identificados na URSS)O fenômeno de Petrozavodsk, capítulo 1: o relato de Lev Gindilis sobre o inquérito, setembro–dezembro de 1977Феномен 20 сентября 1977 г. Предварительный анализ (dados até 30 de setembro de 1977)Загадочный «Петрозаводский феномен» отпраздновал свое 40-летие (O misterioso «fenômeno de Petrozavodsk» completa quarenta anos)URSS e UFO
Os argumentos a favor do foguete
O horário é o argumento mais forte: o lançamento às 4h00min59s, hora de Moscou, cai dentro da própria janela da Academia, de 4h00 a 4h05, para o início da manifestação principal, e o clarão de Helsinque veio cinco minutos depois. O resto combina com uma nuvem de exaustão iluminada pelo sol: silenciosa, aparentemente parada e inchando, e vista quase ao mesmo tempo de Turku ao mar Branco. Teerikorpi observou em 1982 que a aparência e a direção correspondiam às de lançamentos de Plesetsk vistos com frequência da Finlândia, e que dois homens perto de Turku que acharam que a luz tinha dez metros de diâmetro e estava a trezentos metros de distância olhavam para algo a centenas de quilômetros. As mesmas pessoas que dirigiram o Setka, com acesso aos dados de lançamento, disseram que foi um foguete. Lançamentos soviéticos produziram outras “águas-vivas” e “dirigíveis” nos anos seguintes; Platov cita um lançamento de Kosmos na noite de 14 de junho de 1980, visto como um dirigível sobre grande parte da Rússia europeia.
Fontes: General Catalog of Artificial Space Objects: lista de lançamentos, registro 1977-091Феномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данныхНад Хельсинки вспыхнуло небо (O céu se inflamou sobre Helsinque)Russians probing UFO mysteries after rash of bizarre sightingsHistory of State UFO Research in the USSRSoviet “jellyfish UFO”
O que o foguete não explica
Gindilis nunca aceitou que o Kosmos-955 explicasse tudo, e as objeções vêm dos próprios arquivos da Academia. Sua primeira nota as listava: um componente para oeste no movimento, o tamanho aparente do objeto em relação à distância esperada, a forte iluminação do solo, o relato do radar de Helsinque e uma longa imobilidade vista em Leppäsyrjä, uma aldeia da Carélia. Três relatos do turno da noite de Pulkovo situavam o início da fase principal entre 3h55 e 3h57; Gindilis e Kolpakov argumentaram que controladores que acompanhavam o tráfego aéreo em tempo real não errariam por sete a nove minutos, de modo que a manifestação teria começado antes do lançamento, embora um cético responda que os relógios das testemunhas raramente são tão precisos. A lente de ametista de Linnik veio uma hora antes, e o clarão vermelho do soldado, duas horas antes. O estudo com teodolito da universidade situou a luz a seis a sete quilômetros e meio de altura, embora o argumento de Teerikorpi sobre distâncias mal avaliadas pese contra qualquer triangulação desse tipo. Houve uma forte tempestade magnética e aurora naquela noite, o que pode explicar alguns dos clarões anteriores e posteriores, como Migulin sugeriu. No artigo escrito em 1978 para a Priroda (Natureza), a revista mensal de divulgação científica da Academia, e não publicado na época, Gindilis e Kolpakov admitiram que uma fase curta, a cerca de duzentos quilômetros, estava muito provavelmente ligada ao lançamento, mas argumentaram que ela não explicava o resto. Quanto às janelas, Gindilis e Petrovskaya objetaram que a resposta do estilingue não explicava a rodela lisa e redonda que caiu intacta da vidraça interna na avenida Oktyabrsky, 70. O míssil balístico desaparecido de Platov continua sendo uma afirmação sem registro.
Fontes: Феномен 20 сентября 1977 г. Предварительный анализ (dados até 30 de setembro de 1977)Феномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данныхДополнение к отчету от 20 октября 1977 г. (Suplemento ao relatório de 20 de outubro de 1977)Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk)Исследование Петрозаводского университета (O estudo da Universidade de Petrozavodsk)Russians probing UFO mysteries after rash of bizarre sightingsЖажда чуда (Sede de milagres)Исследование ВНИИ МВД (O estudo do instituto de pesquisa do Ministério do Interior)History of State UFO Research in the USSRСообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)
Nota de classificação e de evidências
Este arquivo classifica Petrozavodsk como um avistamento em massa, um rótulo que descreve o que foi relatado, e não sua causa: dezenas de pessoas na cidade e muitas mais numa ampla região viram uma luz distante, e ninguém relatou um pouso, um ocupante ou um vestígio físico que possa ser ligado à própria noite. A resolução é parcialmente explicada. A manifestação principal, por volta das quatro da manhã, coincide tão de perto em horário e características com o lançamento do Kosmos-955 que os próprios coordenadores do programa soviético a aceitaram, e este arquivo concorda que o lançamento é a melhor explicação para o que a maioria das testemunhas viu. Os relatos esparsos anteriores, alguns dos quais podem ser aurora, e os furos nas janelas, todos encontrados em outras datas, nunca foram ligados a ele de forma satisfatória. As citações aqui foram traduzidas dos depoimentos e documentos em russo reproduzidos por Gindilis e Kolpakov e das memórias de Milov.
Fontes: History of State UFO Research in the USSRФеномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данныхДополнение к отчету от 20 октября 1977 г. (Suplemento ao relatório de 20 de outubro de 1977)Об аномальных отверстиях в оконных стеклах г. Петрозаводска (Sobre os furos anômalos nos vidros de janelas em Petrozavodsk)
- 9 JUN 1967
Um satélite americano KH-7 fotografa um sítio de lançamento em Plesetsk, que a União Soviética não reconhece.
- 17 SET 1977
Três noites antes, segundo o relato posterior do comandante da milícia Alexander Antropov, uma patrulha vê uma meia-esfera de luz demorada mais ou menos na mesma hora.
- 20 SET 1977 · POR VOLTA DAS 2H
Um soldado de guarda numa unidade aérea perto de Petrozavodsk relata um clarão vermelho no céu.
- 20 SET 1977 · POR VOLTA DAS 3H
Yuri Linnik observa uma “lente de ametista” por um refrator escolar perto de Namoevo.
- 20 SET 1977 · POR VOLTA DAS 3H55
O controlador do aeroporto de Pulkovo B. N. Blagirev vê uma bola de fogo pulsante baixa no norte.
- 20 SET 1977 · 4H00MIN59S
Um foguete Vostok decola de Plesetsk levando o Kosmos-955 (01h00min59s UTC).
- 20 SET 1977 · POR VOLTA DAS 4H
Sobre Petrozavodsk, equipes de ambulância, milicianos, estivadores e ferroviários observam a “água-viva” por dez a quinze minutos; Helsinque vê um clarão às 3h06, hora finlandesa.
- 20 SET 1977 · 5H20
Tamara Tikhonova chama uma ambulância com dores no peito depois do que viu.
- 20 SET 1977 · 8H40
Um repórter do Leninskaya Pravda entrevista Belyaev e Menkova no fim do plantão.
- 20 SET 1977
Nikolai Milov envia à TASS um telegrama Molniya, “Um fenômeno natural incomum”.
- 22 SET 1977
Felix Zigel telefona a Lev Gindilis; segundo o relato de Milov, o chefe da TASS manda retirar a nota.
- 23 SET 1977
“Fenômeno natural não identificado” sai em alguns jornais centrais; o New York Times noticia uma “água-viva” de luz soviética.
- 24 SET 1977
O Leninskaya Pravda publica “Um ‘visitante cósmico’ sobre Petrozavodsk”.
- 25 SET 1977
O Trud noticia o clarão sobre Helsinque e a explicação de Matti Kivinen, destroços de foguete.
- 30 SET 1977
O New York Times noticia a explicação do propulsor de foguete; a primeira nota informativa de Gindilis, com dados até esta data, vem no início de outubro.
- OUTONO DE 1977
James Oberg associa a água-viva ao lançamento do Kosmos-955: “A identificação é 100% certa.”
- 5–6 OUT 1977
Aparecem furos nas janelas de um apartamento no quinto andar da avenida Oktyabrsky, 70.
- 8 OUT 1977
Meteorologistas de Sortavala descrevem tentáculos de polvo e um rabo de peixe no Krasnoe Znamya.
- 20 OUT 1977
É concluído o relatório da Academia “O fenômeno de 20 de setembro de 1977”, marcado para uso oficial.
- 1º NOV 1977
Acadêmicos e um general da defesa antiaérea se reúnem no Instituto de Pesquisas Espaciais para discutir o caso.
- 21 DEZ 1977
Uma reunião na Comissão Militar-Industrial sob o tenente-general Kiyasov avança rumo a um programa estatal.
- 1º JAN 1978
Um estrondo por volta das 4h deixa furos em sete vidraças na rua Dzerzhinsky.
- 2 JAN 1978
O vice-presidente Kotelnikov envia uma equipe da Academia à Carélia.
- 1978
Começam o Setka MO e o Setka AN; eles funcionam até 1990.
- 12 ABR 1978
O instituto do Ministério do Interior atribui os furos nas janelas a um estilingue.
- 1983
O Pravda reconhece pela primeira vez o cosmódromo de Plesetsk.
- 1985
O acadêmico Migulin aponta o Kosmos-955 no semanário Nedelya.
- 1999
Gindilis e Kolpakov publicam os documentos como O fenômeno de Petrozavodsk.
- 2000
Platov e Sokolov descrevem o programa soviético e atribuem o fenômeno ao Kosmos-955.
Fontes e entrevistas
As fontes permanecem no idioma original; seus títulos e descrições estão traduzidos.
Вместо предисловия (Em lugar de um prefácio)O prefácio dos compiladores · quais jornais centrais publicaram a nota da TASS e por que o comentário de Krat a deixou passar · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetНеобычное явление в природе (Um fenômeno natural incomum)Nikolai Milov · telegrama de serviço da TASS de Petrozavodsk, prioridade “Молния”, 20 de setembro de 1977 · relato 785/364, com a entrevista do Leninskaya Pravda (784/363) e os demais relatos de testemunhas do capítulo 7 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetСообщения очевидцев (Relatos de testemunhas oculares)Capítulo 7 · telegramas, cartas e anotações de entrevistas enviados à Academia de Ciências em 1977–1978, muitos certificados por Yu. A. Gromov ou Nikolai Milov: Violetta Menkova, Vladimir Belyaev, Vasily Barkhatov, Tamara Tikhonova, Valentina Khramtsova, Alexander Egorov, Alexander Antropov, Andrei Akimov, Yuri Linnik e outros · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetНеопознанное явление природы (Fenômeno natural não identificado)TASS · Sotsialisticheskaya Industriya, 23 de setembro de 1977 · apêndice 1.1, com o prefácio sobre quais jornais centrais a publicaram · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetНад Хельсинки вспыхнуло небо (O céu se inflamou sobre Helsinque)R. Hiltunen · Trud, 25 de setembro de 1977 · apêndice 1.2 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetЗагадка природы (Um enigma da natureza)A. Solovyova, N. Egorychev, L. Abramenko e S. Babenina, da estação hidrometeorológica de Sortavala · Krasnoe Znamya (Sortavala), 8 de outubro de 1977 · apêndice 1.3 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetO fenômeno de Petrozavodsk, capítulo 1: o relato de Lev Gindilis sobre o inquérito, setembro–dezembro de 1977Seções 1.3–1.5 · o telefonema de Zigel de 22 de setembro, os relatórios “para uso oficial”, a reunião no IKI de 1º de novembro, a reunião de 21 de dezembro na Comissão Militar-Industrial, a hipótese Andropov · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetO fenômeno de Petrozavodsk, capítulo 1: a expedição de janeiro de 1978 e os furos nas janelasSeções 1.6–1.7 · a viagem à Carélia, o conselho militar, a detenção no aeroporto e o destino do vidro das janelas · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetФеномен 20 сентября 1977 г. Предварительный анализ (dados até 30 de setembro de 1977)L. M. Gindilis · a primeira nota informativa para a Academia de Ciências · seção 2.1 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetФеномен 20 сентября 1977 г. Описание явления. Предварительный анализ данныхL. M. Gindilis, D. A. Menkov e I. G. Petrovskaya · relatório da Academia de Ciências da URSS marcado “Para uso oficial”, 20 de outubro de 1977 · seção 2.2 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetДополнение к отчету от 20 октября 1977 г. (Suplemento ao relatório de 20 de outubro de 1977)L. M. Gindilis, A. N. Makarov, D. A. Menkov e I. G. Petrovskaya · dados até 30 de dezembro de 1977, concluído em janeiro de 1978 · seção 3.1 e seus apêndices · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetProtocolo sobre a radioatividade da água do lago OnegaS. S. Petrusev · certificado por Yu. A. Gromov, 19 de outubro de 1977 · seção 3.2 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetSobre o estado psicológico das testemunhasE. K. Andreeva, psicóloga clínica · entrevistas em Petrozavodsk, 15–23 de novembro de 1977 · seção 3.3 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetОб аномальных отверстиях в оконных стеклах г. Петрозаводска (Sobre os furos anômalos nos vidros de janelas em Petrozavodsk)Apêndice ao suplemento · a lista de vidraças danificadas, de outubro de 1977 a janeiro de 1978 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetИсследование Петрозаводского университета (O estudo da Universidade de Petrozavodsk)A. G. Mezentsev e colegas · novas entrevistas com teodolito de 59 testemunhas, 1978 · capítulo 4 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetПетрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk)L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov · artigo escrito em 1978 para a Priroda e não publicado na época; levemente editado em 1995 e publicado pela primeira vez em inglês no RIAP Bulletin · capítulo 5 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetИсследование ВНИИ МВД (O estudo do instituto de pesquisa do Ministério do Interior)Relatório nº 30/и-596 assinado por S. V. Borodin, 12 de abril de 1978 · seção 6.1 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetЗаключение Государственного оптического института (Conclusões do Instituto Óptico Estatal)Ya. A. Imas, I. V. Aleshin e V. S. Salyadinov, a pedido de G. S. Narimanov de 26 de maio de 1978 · seção 6.2 · em L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov, Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk), coletânea documental compilada em 1999 · AstronetCarta de V. A. Kotelnikov, vice-presidente da Academia de Ciências da URSS, a V. A. 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V. Migulin · Nedelya, nº 33 · 1985 · miger.ru, cópia da Wayback MachineUFO Chronicles of the Soviet Union: A Cosmic SamizdatJacques Vallée · Ballantine Books · 1992 · a entrevista com Migulin, pp. 155–156 · Internet ArchiveThe UFO EnigmaMarcia S. Smith, revisado por George D. Havas · relatório 83-205 SPR do Serviço de Pesquisa do Congresso · 20 de junho de 1983, pp. CRS-95–97 · Internet ArchiveThe Petrozavodsk phenomenonScience Frontiers, nº 104 · 1996 · resumo de L. M. Gindilis e Yu. K. Kolpakov no RIAP Bulletin, vol. 2, nº 2–3, 1995Grenadian Unidentified Flying Object ResolutionTelegrama 1977STATE274296 do Departamento de Estado dos EUA · 16 de novembro de 1977 · WikiLeaks Public Library of US DiplomacyUFO Over Planet EarthMarina Popovich · edição em inglês dos anos 1990 · Internet ArchiveЯркая звезда в виде медузы вспыхнула над Петрозаводском (Uma estrela brilhante em forma de água-viva se acendeu sobre Petrozavodsk)Petrozavodsk govorit · setembro de 2014Загадочный «Петрозаводский феномен» отпраздновал свое 40-летие (O misterioso «fenômeno de Petrozavodsk» completa quarenta anos)A. Trubin · MK v Karelii · 26 de outubro de 2017Петрозаводский феномен (O fenômeno de Petrozavodsk)Wikipédia em russo · usada para orientação e por suas referênciasEncontrou um erro ou conhece uma fonte melhor? Escreva para hello@uap.fun.
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