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DOSSIÊ / 086 — 1957

Um fragmento de disco voador

Em setembro de 1957, um colunista social do Rio publicou a carta de um admirador que dizia ter visto um disco voador explodir sobre uma praia de Ubatuba; dobrados dentro dela vinham pedacinhos de um metal tão leve que parecia papel. Um médico os levou a um laboratório do governo, que encontrou magnésio sem impureza alguma. As peças seguiram para o Comitê Condon, a Dow Chemical, o MIT, Stanford e uma sala limpa no Texas. Ninguém jamais encontrou o homem que escreveu a carta.

Fotografia em preto e branco de uma praia longa e vazia sob um céu pesado, com a arrebentação chegando pela direita, uma costa baixa coberta de restinga à esquerda e as serras florestadas da Serra do Mar fechando o horizonte.
1957
A orla de Ubatuba ao sul da cidade em 1958, um ano depois da carta, fotografada num levantamento geográfico de campo do IBGE por Tibor Jablonsky e Antonio Teixeira Guerra. IBGE, Acervo dos trabalhos geográficos de campo; uso livre com atribuição.

O fim da estrada da serra

Em 1957, Ubatuba era um lugar aonde se ia de propósito. O velho porto colonial do litoral norte do estado de São Paulo tinha sido fundado por volta de 1600 na costa dos tamoios e enriquecera brevemente com o café do Vale do Paraíba no século XIX. Em 1957 era um município de uns oito mil habitantes (7.941 no censo de 1950) espalhados por 650 quilômetros quadrados de praias, ilhas e mata, e a contagem de 1940 tinha posto apenas cerca de mil deles na cidade propriamente dita. A única estrada de acesso subia a Serra do Mar a partir de Taubaté: 91 quilômetros de terra e pedra, aberta em 1933, construída em parte por presos do presídio da Ilha Anchieta e só asfaltada em 1969. Um agrônomo lotado ali lembrava a viagem como “uma aventura”, com dois ônibus por dia dividindo a pista com os caminhões de banana. O estado havia declarado Ubatuba estância balneária em 1948, e casas modernas começavam a subir ao longo da praia da cidade, mas a Praia das Toninhas, poucos quilômetros ao sul, ainda era “só montanha e praia” no fim dos anos 1950, segundo uma mulher que a atravessava a pé para voltar para casa. A rodovia litorânea que hoje liga o Rio a Santos ainda estava a duas décadas de distância. Ao largo, o presídio da Ilha Anchieta tinha fechado em 1955, três anos depois de uma rebelião sangrenta, e em 10 de abril de 1957 um DC-3 da Real Aerovias que ia do Rio para São Paulo perdeu um motor sob chuva sobre a baía e se chocou contra o Pico do Papagaio, na ilha, matando 26 das 30 pessoas a bordo. Essa queda, a única catástrofe aérea de 1957 de que todo mundo em Ubatuba se lembrava, voltaria à história décadas depois.

Mapa do litoral entre São Paulo e o Rio de Janeiro com Ubatuba, a Praia das Toninhas, a Praia da Enseada e a Ilha Anchieta marcadas no litoral norte do estado de São Paulo, a Serra do Mar no interior, Taubaté e São José dos Campos no Vale do Paraíba, Santos e São Paulo a sudoeste e o Rio de Janeiro a nordeste.
O litoral de Ubatuba e as duas cidades cujos jornais, laboratórios e centro de pesquisa da Aeronáutica carregaram a história. A carta dizia apenas “perto de Ubatuba”; Toninhas e Enseada entraram na lenda por meio de testemunhas posteriores. Mapa: uap.fun, desenhado a partir de dados da Natural Earth (domínio público). Fonte da imagem

Fontes: Sinopse Estatística do Município de UbatubaUbatuba, São Paulo: histórico e formação administrativaUbatubaA Rodovia Oswaldo CruzOn Events Possibly Related to the “Brazil Magnesium”Acidentes aéreos no Brasil, 1957: Real Aerovias DC-3 PP-ANX, Ilha Anchieta, 10 de abril de 1957

Recebemos

Ibrahim Sued não era um homem de quem alguém esperasse um furo sobre discos voadores. Filho de imigrantes libaneses, começara como fotógrafo freelance e fizera seu nome com um único clique, em agosto de 1946: o deputado Otávio Mangabeira beijando a mão do general Eisenhower, foto que saiu na primeira página de O Globo e provocou uma crise no Congresso em torno da imagem de servilismo brasileiro. Em agosto de 1954 o jornal lhe deu uma coluna, e ele anunciou que levaria aos leitores, em primeira mão, a “Café Society” brasileira. Alto, de olhos verdes, alegremente descuidado com a gramática e as línguas estrangeiras, tornou-se o colunista social mais conhecido do Brasil e manteve a coluna por mais de quarenta anos. No sábado, 14 de setembro de 1957, entre as notas de sempre, sua coluna trazia um título que nada tinha a ver com champanhe: “UM FRAGMENTO DE DISCO-VOADOR!” Abaixo dele, Sued escreveu uma só palavra, “RECEBEMOS”, e publicou uma carta. “Prezado Sr. Ibrahim Sued”, começava ela. Um leitor assíduo e admirador queria proporcionar-lhe “um verdadeiro furo jornalístico” a respeito dos discos voadores, “se é que acredita nos mesmos”. O autor também não acreditava, “até que, alguns dias atrás, perto de Ubatuba, em pescaria com vários amigos, vi um disco-voador!” Ele se aproximara da praia em velocidade incrível, parecendo prestes a abater-se sobre as águas, e então se elevara “a um impulso fantástico”. Enquanto os amigos, atônitos, acompanhavam a cena, o disco explodiu em chamas em milhares de pedaços que pareciam fogos de artifício, “apesar de ser doze horas, ou seja, meio-dia”, com um brilho fortíssimo. Quase todos caíram no mar, mas muitos pedaços pequenos caíram perto da praia, e o grupo recolheu “um bom número dêsse material, tão leve que parecia papel”. Seguia junto uma pequena amostra, porque o autor não sabia a quem confiar uma análise; nunca lera que um disco tivesse sido recolhido, a não ser que os militares o tivessem feito e guardado sigilo. Mandava a carta em duplicata, para o jornal e para a residência de Sued. Sued fechou a nota numa linha: do admirador, assinatura ilegível, recebera “detritos de um metal estranho”. Era só isso. A carta não nomeava praia, data nem testemunha, e seu autor nunca mais deu notícia.

Fotografia de imprensa em preto e branco de um homem de cabelos escuros, terno e gravata escuros, sentado, gesticulando com uma das mãos enquanto fala.
Ibrahim Sued em 1960, três anos depois de publicar a carta. Fundo Correio da Manhã, Arquivo Nacional, Brasil; domínio público, via Wikimedia Commons. Fonte da imagem · Public domain

Fontes: UFOs: A History, 1957: August–September, Supplemental NotesUFOs: A History, 1957: August–September, Supplemental NotesIbrahim Sued e o novo colunismo socialIbrahim Sued morre no Rio aos 72 anos

Três pedaços sobre uma mesa

Um leitor que não tomou a nota como piada, ou que pelo menos não conseguiu deixá-la de lado, foi Olavo Teixeira Fontes, gastroenterologista de 33 anos da Faculdade Nacional de Medicina, no Rio, e representante brasileiro da Aerial Phenomena Research Organization, a APRO, o grupo civil dirigido de Alamogordo, Novo México, por Coral e Jim Lorenzen. Fontes já redigia havia anos os avistamentos brasileiros para a APRO; dentro de meses estaria examinando o lavrador Antônio Villas Boas e mandando aos Lorenzen a mais estranha história de abdução da década. “Minha primeira ideia foi que tudo aquilo podia ser uma brincadeira ou uma fraude bem planejada”, escreveu. Telefonou a Sued no mesmo dia e quatro horas depois estava em seu apartamento. Sobre a mesa havia “três pequenos pedaços de uma substância sólida, cinza-fosca, que parecia ser algum tipo de metal”, de superfície áspera e aparentemente muito oxidada, um deles “atravessado por rachaduras quase microscópicas, sempre longitudinais”, com uma fissura que percorria dois terços de seu comprimento, como se o pedaço tivesse sido arrancado de algo maior. Manchas de um pó fino e esbranquiçado aderiam aos três como a cinza em carvão queimado e podiam ser raspadas com a unha. Sued tomara aquilo por chumbo, por causa da cor, até pegá-lo: era mais leve que alumínio, “quase tão leve quanto papel”. O colunista disse a Fontes que nada sabia de discos voadores, que não acreditava neles e que não tinha curiosidade pelas amostras, e deixou que as levasse, pedindo apenas que o avisasse se algo incomum aparecesse. Fontes levou só o que estava sobre a mesa. A carta em duplicata, com sua própria amostra, tinha ido para a redação de O Globo, e ninguém jamais a recuperou, um descuido que investigadores posteriores chamariam de lamentável: de todo o material recolhido, três pedaços do tamanho de uma unha são tudo o que algum dia chegou a um laboratório. Fontes raciocinou sobre seu correspondente desconhecido como um médico raciocina sobre um paciente. A carta era parca em detalhes, o que, em sua experiência, marcava relatos honestos, e não fraudes; o autor não soava como um entusiasta de discos voadores, já que nunca ouvira falar de fragmentos encontrados; alguém atrás de publicidade teria convocado uma coletiva de imprensa em vez de mandar a prova pelo correio a um colunista social. Guardou os pedaços por sete dias, virando-os e revirando-os, antes de decidir para onde mandá-los.

Fontes: A Report on the Investigation of Magnesium Samples from a UFO Explosion over the Sea in the Ubatuba Region of BrazilComposition Analysis of the Brazil MagnesiumOlavo Teixeira Fontes (in memoriam)UFOs: A History, 1958: January–February

Boletim n.º 15 001

O laboratório que Fontes escolheu era o melhor que o Estado brasileiro tinha: o Laboratório da Produção Mineral, do Departamento Nacional da Produção Mineral, no Ministério da Agricultura, o órgão oficial de ensaio de minérios, metais e ligas. Um amigo o apresentou ao químico-chefe, Fritz Feigl, o inventor vienense da análise de toque (spot test) que fugira para o Brasil em 1940. Feigl estava ocupado com plásticos e passou os pedaços a um assistente, David Goldscheim, que achou que pareciam fragmentos de meteorito. “São leves demais para serem fragmentos de meteorito”, objetou Feigl; um metal leve, mas não alumínio. Uma lasca foi para um tubo de ensaio com ácido fosfomolíbdico e algumas gotas de ácido clorídrico; quando o tubo foi aquecido, subiram bolhas e o líquido ficou azul. Metal. Os pedaços foram registrados como “de origem desconhecida”, um deles foi designado Amostra 1 e fragmentado, e duas lascas de cerca de 0,6 grama cada uma seguiram para a seção de espectrografia. O Boletim n.º 15 001, de 24 de setembro de 1957, protocolo 571/57, procedência “Ubatuba – São Paulo”, remetente “Dr. Olavo Fontes”, foi assinado pela química Luisa Maria A. Barbosa: “A análise espetrográfica revelou a presença de magnésio (Mg) em alta concentração e ausência de qualquer outro elemento metálico.” Magnésio, e nenhum outro elemento metálico. Fontes queria mais. Em 30 de setembro passou uma hora com Barbosa pedindo os dados das linhas de sua chapa; ela lhe disse que ele não tinha autoridade para avaliar o trabalho dela e que um químico teria ficado satisfeito. Mas explicou a chapa, cinco espectros, a amostra no alto, um carbonato de magnésio quimicamente puro para comparação, três espectros de referência de ferro, e confirmou que vira linhas de magnésio e nada mais, “nem mesmo os chamados ‘elementos-traço’”. Um segundo espectrograma, em 24 de outubro, por Elson Teixeira, veterano de quinze anos do laboratório com cinquenta mil determinações nas costas, àquela altura trabalhando por conta própria mas ainda autorizado a usar os instrumentos, foi mais longe: o metal era “absolutamente puro”, seu espectro idêntico linha por linha ao do sal puro, e até o manganês, o ferro, o silício e o titânio que costumam vazar dos eletrodos de carbono estavam ausentes. Os cristalógrafos de raios X do mesmo departamento, sob Elysiário Távora Filho, compararam o padrão de difração do pó com a ficha-padrão do magnésio, encontraram seis linhas extras fracas que se revelaram hidróxido de magnésio da crosta e concluíram que os fragmentos eram pedaços de uma peça fundida; Távora, anotou Fontes, divulgava números, mas se recusava a pôr por escrito qualquer conclusão sobre a origem. Uma medição incomodava. Uma lasca polida do coração da Amostra 1 deu, em três pesagens separadas numa balança de Jolly, densidade de 1,866 contra 1,741 para o magnésio comum. Um grão de hidróxido preso era a causa mais provável, admitiu Fontes, mas havia uma possibilidade mais empolgante: um excesso dos isótopos pesados, magnésio-25 e -26, os átomos ligeiramente mais pesados que compõem cerca de um quinto de qualquer amostra terrestre e que, raciocinou Fontes, nenhuma refinaria da Terra produziria. Um estudo por espectrografia de massa, escreveu ele, não podia ser feito no Brasil “por razões técnicas”.

Fotografia em close de um bloco de metal cinza-prateado com superfície áspera, cristalina e facetada, sobre um fundo claro.
Magnésio com 99,999 por cento de pureza, refinado por destilações sucessivas, o tipo de espécime de comparação que o laboratório do Rio não tinha em 1957. As lascas de Ubatuba, ao contrário, eram de um cinza fosco sob uma crosta de hidróxido. Foto: 2x910, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. Fonte da imagem · CC BY-SA 4.0

Fontes: A Report on the Investigation of Magnesium Samples from a UFO Explosion over the Sea in the Ubatuba Region of BrazilUFOs: A History, 1957: August–September, Supplemental NotesPhysical EvidenceComposition Analysis of the Brazil Magnesium

O Exército, a Marinha e dois homens às seis e meia

A notícia correu. Em 4 de novembro de 1957, o major Roberto Caminha, do Exército brasileiro, procurou Fontes, pediu um pedaço do metal e levou um para análise no instituto tecnológico do Exército; Fontes ouviu que uma investigação completa viria em seguida e nunca mais soube de nada. Alguns meses depois, segundo o relato de Fontes, o capitão de corveta J. G. Brandão, da Marinha, recolheu o que ele chamou de último pedaço da Amostra 1, presumivelmente para o espectrógrafo do arsenal; dele tampouco voltou resultado algum. Enquanto isso, João Martins, o repórter de O Cruzeiro que, com o fotógrafo Ed Keffel, produzira as fotos do disco da Barra da Tijuca em 1952, escreveu a matéria para a grande revista ilustrada semanal de 16 de novembro. Ele e Fontes desceram a Ubatuba, na versão de Lorenzen, para encontrar o grupo de pescadores. Não encontraram. O máximo que conseguiram, relatou Coral Lorenzen em seu pós-escrito, foi um pescador que se lembrava de um grupo de veranistas de uma cidade do interior que falavam agitados de uma explosão e mostravam a todos pedaços de uma substância cinzenta. Em 30 de novembro, Fontes pôs no correio seu relatório para Alamogordo, e antes do fim do ano os pedaços restantes o seguiram rumo ao norte. Depois veio a visita que ele descreveria, numa carta aos Lorenzen, nas páginas mais citadas que jamais escreveu. Na manhã de 14 de fevereiro de 1958, Fontes fora autorizado a entrar no Ministério da Marinha para ver as fotografias da Ilha da Trindade, tiradas quatro semanas antes de um navio da Marinha. Às seis e meia daquela noite, com a enfermeira já em casa, dois homens entraram em seu consultório e mostraram credenciais do serviço de informações da Marinha. “O senhor sabe demais sobre coisas que não tinha o direito de saber”, disse-lhe um deles. “Não gostamos disso. Além do mais, suas atividades relativas a esses fragmentos que possui são muito indesejáveis e podem ser perigosas para o senhor. Queremos adverti-lo a interromper todas as suas investigações ligadas a esses fragmentos. Pedimos também que as amostras em suas mãos nos sejam entregues o mais breve possível.” Fontes, segundo o próprio relato, perdeu a paciência e os convidou a sair. O tom mudou na hora; a visita, disseram, era extraoficial, amistosa, uma troca. Durante duas horas, contaram-lhe que todos os governos sabiam que os discos eram naves de outro planeta, que seis haviam caído e sido recuperados, um no Saara, três nos Estados Unidos, um nas Ilhas Britânicas e um na Escandinávia, com tripulações de “homenzinhos” mortos de 32 a 46 polegadas de altura, de 80 centímetros a pouco mais de um metro, e que as naves funcionavam com campos eletromagnéticos giratórios que ninguém conseguia reproduzir. “Eles trocaram suas informações por um pedacinho do nosso magnésio”, escreveu Fontes. “Levaram apenas a amostra que queriam.” O que quer que se pense desse relato, que hoje se lê como um resumo da literatura sobre discos caídos do início dos anos 1950, Fontes nunca deixou claro se a lasca que os visitantes levaram era a que ele registrou como de Brandão ou outra; o que quer que a Marinha tenha levado sumiu tão completamente quanto o pedaço do Exército. Um mês depois, Fontes escreveu a Richard Hall, um jovem ufólogo americano cujo boletim Satellite acabara de fechar, que o metal de Ubatuba se revelara “absolutamente puro (100,00 % de Mg)”, e lhe implorou que guardasse segredo: “Há razões muito boas para isso, como o senhor entenderá mais tarde.”

Fotografia em preto e branco de uma rua larga e arenosa numa cidade pequena, com casas coloniais baixas e caiadas, de telhados de telha, dos dois lados, algumas árvores e postes de telégrafo, e a parede íngreme e coberta de mata da Serra do Mar fechando a vista no fim da rua.
Uma rua de Ubatuba em 1958, com a escarpa da Serra do Mar ao fundo, a cidade aonde Fontes e Martins foram procurar o grupo de pescadores. Fotografia de levantamento de campo do IBGE por Tibor Jablonsky e Antonio Teixeira Guerra; IBGE, Acervo dos trabalhos geográficos de campo, uso livre com atribuição. Fonte da imagem

Fontes: A Report on the Investigation of Magnesium Samples from a UFO Explosion over the Sea in the Ubatuba Region of BrazilFlying Saucers: The Startling Evidence of the Invasion from Outer SpaceUFOs: A History, 1958: January–FebruaryCarta de Olavo T. Fontes a Richard Hall, 15 de março de 1958On Events Possibly Related to the “Brazil Magnesium”Inventory of Material from the Files of the Late Dr. Olavos T. Fontes

A APRO encerra sua argumentação

Em Alamogordo, os fragmentos tiveram um começo difícil. Pouco depois de chegarem, os Lorenzen entregaram uma porção a um laboratório espectrográfico da Força Aérea; no dia seguinte, o operador informou que havia queimado o pedaço inteiro no arco sem conseguir uma chapa exposta, e pediu outro. A APRO recusou. Por meio de um sócio que era físico teórico num laboratório nacional, mais tarde identificado como Oak Ridge, arranjaram uma análise mais discreta em 18 de setembro de 1958, num espectrógrafo de dois metros: magnésio, sem dúvida, mas com alumínio, silício e ferro em algum ponto entre 100 e 1.000 partes por milhão (ppm), de um centésimo a um décimo de um por cento, nada parecido com as chapas do Rio. Um colega dos Lorenzen escreveu que nenhuma liga comercial de magnésio se parecia nem de longe com aquilo e que um metal assim não tinha “nenhuma utilidade concebível para fins mecânicos, ou para a condução de eletricidade”. Um teste de flutuação num laboratório da Comissão de Energia Atômica, evidentemente o mesmo, deu uma densidade de 1,7513, magnésio comum com um pouco de óxido, e nunca mais se ouviu falar dos isótopos pesados. Por dois anos e meio a APRO manteve todo o caso fora do próprio boletim. Então, em março de 1960, veio a público. “O objeto que explodiu sobre a praia de Ubatuba, Brasil, era feito de magnésio 100%, o que não está ao alcance da tecnologia do nosso tempo”, declarou o Bulletin. “A APRO encerra sua argumentação.” Coral Lorenzen escreveu ao major Lawrence Tacker, porta-voz da Força Aérea para os UFOs, que a APRO tinha em seu poder “uma parte de um veículo extraterrestre que sofreu um desastre na atmosfera da Terra”, e a ofereceu para exame por cientistas aceitáveis a todas as partes; a imprensa publicou trechos durante três dias. Tacker passou o assunto ao Centro de Inteligência Técnica Aeroespacial da Base Aérea de Wright-Patterson e transmitiu o pedido de que a APRO enviasse pelo correio “uma amostra do material e o relatório técnico relativo ao caso da praia de Ubatuba”, acrescentando que uma busca na biblioteca técnica do Comando de Material Aéreo “não revelou o nome do sr. Ibrahim Sued, do dr. Olavo T. Fontes nem de nenhuma das pessoas mencionadas”. A APRO não ia pôr seu tesouro no correio para uma repartição que acabara de explicar um avistamento sobre a Base Aérea de Biggs, no Texas, como um meteoro, para desgosto dos Lorenzen: “podemos confiar nossos preciosos pedacinhos de magnésio puro ao correio dos Estados Unidos?”. Os Lorenzen acreditavam que seu telefone de casa estava sendo monitorado naquelas semanas, que um editor em Kansas City havia derrubado a versão da Associated Press de seu comunicado e que alguém abrira a ficha funcional de Coral em Holloman, onde ela tivera credencial de acesso a material secreto como funcionária da Força Aérea. O público deu de ombros. Lorenzen cunhou uma palavra para isso, “Brinksterism”: as pessoas queriam os fatos até serem confrontadas com eles. A única empresa que de fato recebeu um pedaço naqueles anos foi a óbvia. A Dow Chemical, de Midland, Michigan, extraía seu magnésio da água do mar, e seus metalurgistas haviam examinado os fragmentos já em 1958, como Roy Craig soube mais tarde. Em dezembro de 1961, R. S. Busk, diretor de pesquisa do Departamento de Produtos Metálicos da Dow, enviou a Coral Lorenzen sua análise de parte da Amostra 2: cálcio, 100 partes por milhão; estrôncio, 30; bário, 30; e um par de partes por milhão de manganês e cobre. Não era puro, portanto, mas trazia um estranho par de passageiros.

Fotografia industrial em preto e branco de um longo laminador num galpão de fábrica, com uma chapa de metal brilhante passando entre os rolos em direção à câmera e um operário ao fundo.
Laminação de magnésio na Dow Chemical Company, em Midland, Michigan, a empresa cujos químicos examinaram os fragmentos em 1958 e 1961 e forneceram ao Projeto Colorado sua amostra de comparação. Fotografia da Dow Chemical Company, Science History Institute, via Wikimedia Commons; sem restrições de direitos autorais conhecidas. Fonte da imagem · No known copyright restrictions

Fontes: Flying Saucers: The Startling Evidence of the Invasion from Outer SpaceComposition Analysis of the Brazil MagnesiumIsotope Ratios and Chemical Analysis of the 1957 Brazilian Ubatuba FragmentPhysical EvidenceThe Physical Evidence StoryThe Midland Fireball: Dow Chemical’s Early Involvement with UFOs

Greenwich +3, outono de 1957

Quando a Força Aérea contratou a Universidade do Colorado, em 1966, para resolver a questão dos UFOs sob a direção do físico Edward Condon, os Lorenzen ofereceram seu magnésio ao projeto, e os fragmentos de Ubatuba se tornaram o espécime mais famoso testado pelo Comitê Condon, e o único a que ele dedicou um estudo de caso próprio. O relatório disfarçou o lugar como “Greenwich +3, outono de 1957”, do mesmo modo que codificava todos os casos, mas todo mundo sabia. Roy Craig, o físico-químico que cuidou dele, começou pela afirmação que importava: o metal era mais puro do que qualquer coisa fabricada na Terra em 1957? Escreveu a Busk, na Dow, e foi vê-lo; Busk lhe disse que a empresa fornecia sob encomenda, havia um quarto de século, magnésio triplamente sublimado, metal purificado três vezes seguidas ao ser vaporizado no vácuo e condensado de novo, e mandou uma amostra. Então, em 5 de fevereiro de 1968, Craig levou os dois espécimes a um laboratório que ninguém poderia acusar de interesse por discos voadores, o laboratório de impostos sobre álcool e tabaco do Internal Revenue Service, o fisco americano, onde Maynard Pro os submeteu à análise por ativação neutrônica, em que uma amostra é bombardeada num reator até que cada elemento-traço emita sua própria radiação reveladora, enquanto Craig observava. Uma lasca foi quebrada do fragmento principal, lixiviada em ácido clorídrico até reluzir e irradiada. O metal do Brasil tinha 500 partes por milhão de zinco contra 5 na amostra da Dow, 35 de manganês contra 4,8, 32 de cromo contra 5,9, e dois elementos que o metal da Dow não continha de modo algum: bário, a 160 partes por milhão, e estrôncio, a 500. O relatório considerou normal a razão isotópica do magnésio-26. “A alegação de pureza incomum dos fragmentos de magnésio foi refutada”, escreveu Craig. Mas o estrôncio o intrigava. Não era uma impureza que o magnésio recolhesse na produção, e Busk não conhecia ninguém que o adicionasse de propósito. A própria microssonda da Dow o encontrou distribuído uniformemente pelo metal, em solução sólida, e seus metalógrafos viram “grãos de magnésio grandes e alongados” que nunca haviam sido trabalhados depois de solidificar, o que tornava “duvidoso que esta amostra tenha feito parte de um objeto metálico fabricado”. Uma busca nos registros do laboratório de Midland fechou o círculo, para satisfação de Craig: a Dow fabricara durante anos ligas experimentais de magnésio-estrôncio com 0,1 a 40 por cento de estrôncio, inclusive, em 25 de março de 1940, um lote de 700 gramas com nominalmente o mesmo teor de estrôncio do pedaço de Ubatuba. Como só existiam uns poucos gramas do material e a tecnologia terrestre poderia tê-los produzido, concluiu ele, os fragmentos “não podem ser usados como prova válida da origem extraterrestre de um veículo”. O resumo do próprio Condon foi além, chamando o metal de “muito menos puro que o metal comercial corrente” que a Dow fabricava em 1957, uma frase que Peter Sturrock criticaria mais tarde, já que a amostra de comparação era triplamente sublimada, não comercial. Fontes não viveu para ler o relatório. Morreu de câncer em 9 de maio de 1968, um mês antes de completar 44 anos, três meses antes de o magnésio ter seu dia no Congresso e oito antes de o relatório ser publicado. A APRO já dissera a seus membros, no boletim da primavera de 1968, que os testes americanos “confirmaram” as conclusões de Fontes. No simpósio da Câmara dos Representantes sobre UFOs, em 29 de julho de 1968, James Harder, de Berkeley, consultor da APRO, disse à comissão que havia “apenas uma constatação bem autenticada” de fragmentos de UFO, no Brasil, leu os números do Colorado e declarou o metal “de pureza extraordinária, certamente muito além da capacidade de produção dos pescadores de Ubatuba”. Robert Baker perguntou se ele poderia ter sido fabricado na Terra. Harder admitiu que a Dow fazia magnésio mais puro que aquele, e então apontou para o zinco, o estrôncio e o bário, “muito curiosos”. Carl Sagan perguntou se um sinalizador de magnésio havia sido comparado. “Dificilmente teria 99,9 por cento de pureza”, disse Harder.

Retrato em preto e branco de um homem sorridente, de terno escuro e óculos redondos, sentado a uma mesa, segurando papéis.
Edward U. Condon, diretor do projeto sobre UFOs da Universidade do Colorado, em seus anos no National Bureau of Standards. Seu relatório de 1968 deu ao magnésio de Ubatuba seu primeiro teste de ativação neutrônica. Foto: National Institute of Standards and Technology, domínio público, via Wikimedia Commons. Fonte da imagem

Fontes: Scientific Study of Unidentified Flying Objects, Section III, Chapter 3: Direct Physical EvidenceScientific Study of Unidentified Flying Objects, Case 4: Magnesium Fragment (“Greenwich +3, Fall 1957”)Composition Analysis of the Brazil MagnesiumStatement of Dr. James A. Harder, Symposium on Unidentified Flying Objects, House Committee on Science and Astronautics, July 29, 1968Symposium on Unidentified Flying Objects: General DiscussionOlavo Teixeira Fontes (in memoriam)Ubatuba Case Mentioned in Trade MagazineInventory of Material from the Files of the Late Dr. Olavos T. Fontes

Peças fundidas, fluência e o homem de Fishkill

A APRO não aceitou o veredicto. Em 1969, os Lorenzen entregaram o magnésio que lhes restava a Walter W. Walker, professor associado de engenharia metalúrgica na Universidade do Arizona, em Tucson, para onde a APRO se mudara, para o primeiro estudo estrutural, e não químico: microdureza, difração de raios X, figuras de corrosão, orientação dos grãos e ensaios de fluência, que medem quão lentamente um metal se estica sob carga quando quente. Walker, com um bolsista de doutorado e um segundo consultor de metalurgia da APRO que não o conhecia, Robert W. Johnson, da Materials Research Corporation, em Nova York, relatou que os fragmentos eram “peças fundidas com solidificação direcional”, metal cultivado com seus grãos grossos todos alinhados, técnica que, segundo Walker, não estava em estudo em 1957, e que o material resistia à fluência em alta temperatura muito melhor que o magnésio comum. “Em nenhum lugar de nossa tecnologia atual há uso para metais fundidos, orientados e de grão grosso como os observados neste estudo”, escreveram; e, sobre a observação de Condon de que a peça não fora trabalhada e portanto não era parte de um objeto fabricado, “toda a indústria de fundição dos Estados Unidos poderia discordar”. O comunicado à imprensa da APRO de 19 de setembro de 1970 chamou o magnésio de Ubatuba de “a única prova física que se sabe existir a indicar uma origem extraterrestre para alguns UFOs”. Os metalurgistas na Grã-Bretanha não se impressionaram. Convidado pela BUFORA a avaliar o trabalho em 1971, K. A. Ridal, da British Steel, examinando os resultados com J. Whiteman, da Universidade de Sheffield, não encontrou “nada de incomum” em grandes grãos colunares, “o modo natural de solidificação do magnésio puro”, e chamou de “simplesmente incorreto deduzir que essa estrutura resulte de alguma tecnologia especial”. John Harney, do Merseyside UFO Bulletin, chegou em junho daquele ano a uma conclusão mais dura: dado o dinheiro e a competência técnica gastos com ele, o caso de Ubatuba “deve ser considerado uma das fraudes mais bem-sucedidas da história da ufologia”. Os próprios espécimes levaram vidas inquietas. Em 1978 ou 1979, os Lorenzen emprestaram justamente o pedaço que o Projeto Colorado havia analisado a um jornalista, Harry Lebelson, que o levou a Robert Ogilvie, do departamento de metalurgia do MIT. A conclusão de Ogilvie, publicada na OMNI em novembro de 1979, foi que o metal correspondia a magnésio para solda e que sua rede de óxidos só poderia ter se formado mantendo-o perto do ponto de fusão, ao ar, por cerca de um minuto, o que tornava “bem possível que o espécime do Brasil fosse um pedaço de material de solda de uma aeronave que explodiu ou de um satélite em reentrada”. Em 1984, contou Ogilvie mais tarde a Sturrock, Lebelson telefonou dizendo que alguém recolheria o espécime em seu nome; um homem apareceu, como combinado, disse que trabalhava na fábrica da IBM em Fishkill, Nova York, e saiu com o magnésio, sem recibo, sem nome e sem verificação de suas credenciais. Lebelson negou ter feito qualquer telefonema desse tipo. O fragmento do Condon não foi mais visto. Quando Coral Lorenzen telefonou ao ufólogo Robert Barrow, em maio de 1987, pedindo ajuda para rastrear o pedaço desaparecido, ainda tentava descobrir o que tinha acontecido com ele.

Fontes: APRO’s New Findings on Ubatuba MagnesiumComunicado de imprensa da APRO sobre o magnésio de Ubatuba, 19 de setembro de 1970Ubatuba Magnesium: UFO Fragments?The Search for Physical Evidence, Part 3: The Ubatuba MagnesiumComposition Analysis of the Brazil MagnesiumCoral Lorenzen and the Ubatuba UFO Fragments

Sputnik Zero e a amostra de Solikamsk

O homem que deu ao magnésio sua segunda vida científica foi Peter Sturrock, astrofísico de Stanford que se interessara pelo Relatório Condon em 1976. Com a cooperação dos Lorenzen, ele enviou um pedaço ao laboratório de meteoritos de Gerald Wasserburg, no Caltech, onde Typhoon Lee e D. A. Papanastassiou mediram os isótopos e informaram, em outubro de 1976, com uma precisão de quatro partes em dez mil: magnésio terrestre, com seus átomos leves e pesados ligeiramente deslocados, como o aquecimento os deslocaria, e nada mais. Sturrock escreveu a Jim Lorenzen em janeiro de 1977 que a comparação isotópica era indistinguível da do magnésio normal. Ele não parou aí. Um laboratório da NASA no Johnson Space Center, em Houston, oferecido depois que a Casa Branca de Carter perguntou à NASA, em 1977, se ela examinaria evidências de OVNIs, informou em 1981 que a amostra era “essencialmente magnésio puro”, num instrumento antigo que Ogilvie descartou com um “receio que o sistema deles não seja muito bom”. O próprio Ogilvie ofereceu uma teoria com certo charme de Guerra Fria: um satélite soviético lançado um mês antes do Sputnik teria falhado em alcançar a órbita e caído ao largo de Ubatuba, um “Sputnik Zero”, o que explicaria o interesse dos militares. Sturrock a testou. Um pesquisador de Kharkov garantiu-lhe que tal lançamento nunca existira, e em 1999 ele obteve magnésio dos anos 1950 da fábrica de Solikamsk, nos Urais, e um retalho de liga de um MiG; o metal de Solikamsk não continha estrôncio nem bário, e a liga do MiG, apenas traços. Em 1986, Jean-Jacques Velasco, da agência espacial francesa CNES, organizou uma análise por espectrometria de massa de íons secundários na Universidade Pierre e Marie Curie, em Paris, que encontrou isótopos a menos de duas partes por mil do normal e, como o Colorado, estrôncio a 700 partes por milhão, com cálcio a 8.500. Em 1987, os Lorenzen transferiram a Sturrock a propriedade dos espécimes restantes, e ele lhes deu novos rótulos, de SU-A a SU-J, porque a APRO não mantivera nenhum registro sistemático e ninguém sabia dizer qual lasca fora a Amostra 2 ou a 3 de Fontes. Em 1997, ele encomendou as análises mais sensíveis até então, espectrometria de íons secundários por tempo de voo na Charles Evans and Associates e espectrometria de massa com plasma por ablação a laser na Elemental Research, em Vancouver, duas técnicas que vaporizam um grão da amostra e pesam seus átomos elemento por elemento, ao lado de amostras de referência da Dow, da Alfa e do National Institute of Standards and Technology e de areia que Kaufmann obteve para ele em duas praias de Ubatuba, registradas como Anchieta e Enseada. Os resultados, publicados no Journal of Scientific Exploration em 2001, foram consistentes e ligeiramente estranhos. No volume, os pedaços do Brasil continham cálcio entre 3.000 e 5.000 partes por milhão, estrôncio entre 600 e 900 e bário em torno de 300, todos os três da mesma coluna da tabela periódica que o magnésio, além de titânio, lítio e boro; o estrôncio não apareceu em nenhum dos magnésios de referência, e o bário em apenas um, a 15 partes por milhão. Os isótopos eram terrestres. As superfícies carregavam um zoológico de elementos, entre eles paládio, nióbio, ítrio e cobalto, difíceis de explicar como contaminação de praia. Os especialistas em magnésio da Dow e do Battelle disseram a Sturrock que o estrôncio “teria de ter sido adicionado”, e que ninguém na indústria fazia isso. Seu veredicto foi de dois gumes: “não há razão para acreditar que os espécimes de magnésio do Brasil tenham tido origem extraterrestre. Por outro lado, não foi possível identificar onde o material foi produzido.” A pedido de Sturrock, Ibrahim Sued, 28 anos depois, usou sua coluna de 21 de agosto de 1985 para pedir que o autor da carta se apresentasse. Ninguém apareceu.

Fontes: Composition Analysis of the Brazil MagnesiumInventory of Material from the Files of the Late Dr. Olavos T. FontesIsotope Ratios and Chemical Analysis of the 1957 Brazilian Ubatuba Fragment

O que Ubatuba lembrava

O Projeto Colorado nunca mandou ninguém ao Brasil. Sturrock foi, com Pierre Kaufmann, radioastrônomo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, que traduzira a carta e foi o primeiro investigador a pesar o português dela como evidência: o português era bom demais para um pescador, o autor conhecia o endereço residencial de Sued, e O Globo era um jornal do Rio que “mal era lido fora do Rio, e provavelmente não era lido de forma alguma em Ubatuba”. Em março de 1982, os dois visitaram a cidade, e Kaufmann voltou repetidas vezes até 1990, com resultados que ele e Sturrock publicaram em 2004. A primeira coisa de 1957 de que os funcionários do hotel se lembravam era o DC-3 da Real Aerovias na Ilha Anchieta. A outra lembrança que a cidade ofereceu era mais antiga. Washington de Oliveira, farmacêutico, ex-prefeito e historiador não oficial da cidade, nunca ouvira falar de nada em 1957, mas em 1933 ou 1934 ele e um amigo dentista tinham visto um objeto branco, mais ou menos tão brilhante quanto uma meia-lua, passar assobiando sobre suas cabeças de norte para sul, sumir atrás dos morros na direção da ilha e, quinze ou vinte segundos depois, sacudir a cidade com uma explosão que fez tremer a louça de seu pai. Um dono de peixaria na praia da Enseada, Eduardo Graça, ouvira do tio pescador que, naqueles mesmos anos, uma estranha “pedra” marrom-clara, de 20 centímetros de diâmetro e leve demais, subira numa rede de arrasto de praia ao largo da ilha e fora entregue ao diretor do presídio, que a levou a um laboratório em São Paulo. Um especialista em meteoros de Harvard consultado por Sturrock ficou intrigado: um bólido, um meteoro em bola de fogo que explode, ainda em chamas tão baixo teria de pesar várias toneladas e deveria ter deixado uma cratera ou uma grande onda, a menos que, como sugeriram os autores, tivesse estourado no ar sobre a ilha. Só uma pessoa afirmou ter visto alguma coisa nos anos 1950. Maria de Lourdes, entrevistada em janeiro de 1990 e já filmada por uma equipe de televisão japonesa, contou que, numa noite sem lua entre 1955 e 1959, levando o irmão bêbado para casa, da Enseada, pelas areias desertas das Toninhas, entre duas e três da madrugada, vira um enorme objeto giratório em forma de ovo, “mais brilhante que o sol”, descendo sobre o mar na direção da Anchieta; ele ficou branco, estourou em silêncio completo e cobriu a baía com uma chuva de destroços incandescentes. Seu sobrinho, médico em São Paulo, ouvira a história dela e de um tio, que ele acreditava ter telefonado ao centro técnico da Aeronáutica em São José dos Campos, que mandou homens recolher o metal; ela disse que nenhum telefonema desse tipo foi feito. Ainda assim, o fio da Aeronáutica se sustentou por conta própria. O brigadeiro Hugo de Oliveira Piva, que estivera no Centro Técnico de Aeronáutica em 1957, disse a Kaufmann que se lembrava claramente de amostras de um metal incomumente puro analisadas ali naquele ano, trazidas por alguém; outro ex-cientista do CTA tinha alguma lembrança da chegada de um fragmento de metal, e um terceiro se lembrava de um pedaço passado pelo espectrógrafo e identificado como magnésio. David Goldstein, da Academia Brasileira de Ciências, que trabalhara no laboratório em 1957 e era evidentemente o homem que Fontes chamou de Goldscheim, lembrava-se de Fontes dizendo que recebera os pedaços de pescadores. E um morador de 72 anos, que vivera a vida inteira na cidade e não sabia de nenhum acontecimento em 1957, mencionou que o irmão mais novo certa vez inventara um avistamento de disco voador para impressionar os engenheiros que construíam a nova estrada, e tivera vergonha demais para desmenti-lo. Kaufmann e Sturrock expuseram quatro possibilidades: veranistas das cidades que realmente viram algo explodir; um visitante do Rio a quem mostraram um metal estranho e que lhe atribuiu uma história; alguém de dentro do CTA que vazou uma amostra para lhe dar publicidade; ou “uma farsa bem encenada”. Eles não escolheram.

Fotografia colorida de uma praia ampla e plana na maré baixa, sob um céu claro, com alguns caminhantes ao longe, uma linha de arrebentação baixa e promontórios verdes em cada extremidade.
A Praia das Toninhas, ao sul de Ubatuba, em 2019. A carta não nomeava nenhuma praia; a única testemunha que algum dia se situou aqui durante uma explosão, décadas depois, descreveu um evento noturno sobre o mar, na direção da Ilha Anchieta. Foto: Themium, CC0, via Wikimedia Commons. Fonte da imagem · CC0

Fontes: On Events Possibly Related to the “Brazil Magnesium”Composition Analysis of the Brazil Magnesium

Cinco miligramas numa sala limpa

O capítulo mais recente foi escrito por gente que queria saber, de uma vez por todas, o que os elementos-traço tinham a dizer. As razões isotópicas são o que há de mais próximo de um passaporte para um pedaço de metal: as proporções entre estrôncio-86 e estrôncio-88, ou entre os isótopos do bário, variam dentro de limites estreitos na Terra, e um material formado em outro lugar do sistema solar poderia não coincidir. Em 2017, Michael Swords, do Center for UFO Studies, que examinara os papéis de Roy Craig na Texas A&M em 2008, obteve um pedaço de Sturrock, e Robert Powell, da Scientific Coalition for UAP Studies, organizou os testes. A Cerium Laboratories, de Austin, Texas, laboratório credenciado conhecido no campo da nanotecnologia, assumiu o trabalho: numa sala limpa de classe 1, removeram 50 angstroms, algumas camadas atômicas, da superfície, dissolveram 5,7 miligramas e passaram a solução por um espectrômetro de massa com plasma de alta resolução. Quatro laboratórios universitários recusaram-se então a fazer uma verificação ao saberem o que a amostra supostamente era, e a solução foi para um segundo laboratório comercial, em Cleveland, em 2018. O magnésio saiu com cerca de 79,3 por cento de magnésio-24, 10 por cento de magnésio-25 e 10,6 a 10,9 por cento de magnésio-26, contra valores nominais de 79,0, 10,0 e 11,0; os números de Cleveland caíam sobre a linha ao longo da qual o magnésio terrestre varia, os de Austin ficavam fora dela, o que os autores atribuíram a um erro de medição. Os elementos-traço foram menos arrumados: os dois laboratórios encontraram distribuições isotópicas fora dos valores terrestres normais, mas não concordavam entre si, e os autores, escrevendo no Journal of Scientific Exploration em 2022, chamaram os resultados dos elementos-traço de “inconclusivos”. Ao vasculhar os arquivos originais de Craig em 2008, Swords também descobrira que o relatório da ativação neutrônica de 1968 na verdade registrara um valor de 14,3 por cento para o magnésio-26, bem acima do normal, que o relatório descrevia como concordância razoável; um revisor posterior rastreou-o até um deslize de pesagem, o peso da amostra preparada errada, e o valor corrigido seria ainda menos normal: 23,1 por cento. O resultado isotópico de 1968 é melhor deixado de lado. Todas as medições modernas concordam quanto ao metal em si: magnésio com cerca de 99,88 por cento de pureza, tendo estrôncio, bário, zinco e cobre como principais passageiros. “Continua sendo um mistério”, conclui o artigo de 2022, “como magnésio de alta pureza com a adição de impurezas de estrôncio foi aparecer na redação de um jornal brasileiro em 1957.”

Fontes: Isotope Ratios and Chemical Analysis of the 1957 Brazilian Ubatuba FragmentAnalysis of the “Ubatuba” Material by Robert PowellComposition Analysis of the Brazil Magnesium

Mais leve que o alumínio

Poucos artefatos de OVNIs viajaram tão longe de sua origem quanto este. Os livros de Coral Lorenzen levaram o relatório de Fontes e seu magnésio “absolutamente puro” a uma geração de leitores em 1962 e 1966; Harder o repetiu ao Congresso; David Saunders, o psicólogo do Colorado demitido por Condon, argumentou em seu livro de 1968 que a ausência de mercúrio, que uma sublimação a vácuo deixaria para trás, significava que o metal era puro no sentido de que nada nele estava ali por acaso. Paul Hill, engenheiro da NASA, transformou a densidade de 1,866 num argumento em favor de magnésio-26 puro que sobreviveu a todas as medições em contrário. No Brasil, a história ganhou uma praia, as Toninhas, uma data, 7 de setembro, uma multidão de banhistas que viu o disco, soldados que recolheram destroços e um morador local que pôs a carta no correio, nada do que a carta contém. Em 2016, um ufólogo do litoral de Santos, Edison Boaventura Jr., recebeu quatro fragmentos pelo correio de um homem que dizia que o pai fora soldado do Exército envolvido no caso, e mandou testá-los num laboratório da Universidade de São Paulo; um museu em Victoria, na Argentina, exibe fragmentos que atribui ao caso. Jacques Vallée, que trabalhou com Garry Nolan, de Stanford, na perícia isotópica de supostos materiais de OVNIs, relatou em 2018 que um desses espécimes argentinos atribuído a Fontes apresentou razões normais de magnésio, enquanto outro, vindo de um marinheiro, não; e os fragmentos de Ubatuba viraram presença constante nas entrevistas de Nolan no início dos anos 2020, a começar pelo podcast de Lex Fridman. O estranho é que a pergunta original nunca foi respondida. O metal é real, tem pelo menos quase setenta anos e não se parece com nenhum produto que alguém tenha conseguido nomear: mais puro que sucata, salpicado de estrôncio e bário que nenhum reagente carregaria, crescido em grãos grosseiros e orientados que o pessoal da Dow reconheceu como uma peça fundida e um metalurgista de Sheffield reconheceu como o magnésio simplesmente fazendo o que o magnésio faz ao esfriar. Alguém no Rio que lia colunas sociais e escrevia um português excelente pôs o metal em dois envelopes. Fontes achava que o homem era ou um farsante travesso ou alguém que tropeçara na história sem entendê-la, e pendia para a segunda hipótese. Sturrock, depois de um quarto de século, só pôde dizer que os fragmentos não eram de outro mundo e não podiam ser comprovadamente deste. Quase todos os que os tiveram nas mãos perderam um pedaço: para uma lâmpada de arco, para a Marinha, para o Exército, para um estranho de Fishkill.

Retrato colorido de um homem idoso de cabelos brancos e camisa azul, sentado diante de um fundo escuro, com o queixo apoiado na mão.
Jacques Vallée em dezembro de 2024. Seu trabalho com Garry Nolan sobre os isótopos de supostos materiais de OVNIs devolveu os fragmentos de Ubatuba à atenção pública nos anos 2020. Foto: Christopher Michel, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. Fonte da imagem · CC BY-SA 4.0

Fontes: Flying Saucers: The Startling Evidence of the Invasion from Outer SpaceUFOs? Yes! Where the Condon Committee Went WrongThe Ubatuba Magnesium and the Isotope RatioThe Search for Physical Evidence, Part 3: The Ubatuba MagnesiumDisco voador explode em praia do Litoral e EUA está investigando o casoA Catalogue of Reported Fragments and Residues Associated with UAP, version 2.3UFO explosion fragments from Ubatuba, Brazil | Garry Nolan and Lex FridmanComposition Analysis of the Brazil MagnesiumUma explosão em Ubatuba

VÁ À FONTE

Fontes e entrevistas

As fontes permanecem no idioma original; seus títulos e descrições estão traduzidos.

Um fragmento de disco-voador!Ibrahim Sued · O Globo, Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1957 · recorte dos arquivos de Olavo Fontes, reproduzido em Loren Gross, UFOs: A History, 1957: August–September, Supplemental Notes, p. 21; texto em português também no Apêndice 1 de Sturrock (2001) · Sign Oral History Project (PDF)A Report on the Investigation of Magnesium Samples from a UFO Explosion over the Sea in the Ubatuba Region of BrazilOlavo T. Fontes, M.D. · relatório à APRO datado de 30 de novembro de 1957, publicado em Coral Lorenzen, The Great Flying Saucer Hoax (1962) e Flying Saucers: The Startling Evidence of the Invasion from Outer Space (1966) · The Temporal Doorway, via Wayback MachineFlying Saucers: The Startling Evidence of the Invasion from Outer SpaceCoral E. Lorenzen · Signet, 1966 · o capítulo 9 reproduz o relatório de Fontes com o pós-escrito dos Lorenzen sobre o laboratório da Força Aérea e a visita da inteligência brasileira · Internet Archive (biblioteca de empréstimo)Carta de Olavo T. Fontes a Richard Hall, 15 de março de 1958NICAP · Fontes anuncia o resultado “absolutamente puro (100,00 % de Mg)” e pede que seja mantido em segredoUFOs: A History, 1958: January–FebruaryLoren E. Gross · edição do autor, anos 1990 · pp. 53–58 sobre a visita de Fontes ao Ministério da Marinha e os dois oficiais de inteligência de 14 de fevereiro de 1958 · Sign Oral History Project (PDF)Physical EvidenceThe A.P.R.O. Bulletin, março de 1960, pp. 1, 3 · o primeiro relato público da APRO sobre os fragmentos, com os boletins dos laboratórios brasileiros · Internet Archive (digitalização do AFU)The Physical Evidence StoryThe A.P.R.O. Bulletin, maio de 1960, pp. 1–3, 8 · as cartas dos Lorenzen ao major Tacker, o pedido de amostra do ATIC e o editorial “Brinksterism” · Internet Archive (digitalização do AFU)Ubatuba Case Mentioned in Trade MagazineThe A.P.R.O. Bulletin, maio–junho de 1968 · com o obituário de Olavo Fontes, falecido em 9 de maio de 1968 · Internet Archive (digitalização do AFU)APRO’s New Findings on Ubatuba MagnesiumThe A.P.R.O. Bulletin, julho–agosto de 1970, pp. 1, 5 · o estudo metalúrgico de Walter W. Walker e Robert W. Johnson · Internet Archive (digitalização do AFU)Comunicado de imprensa da APRO sobre o magnésio de Ubatuba, 19 de setembro de 1970Aerial Phenomena Research Organization, Tucson · Internet Archive (digitalização do AFU)Scientific Study of Unidentified Flying Objects, Section III, Chapter 3: Direct Physical EvidenceRoy Craig · Universidade do Colorado, 1968 (Bantam, 1969, pp. 94–97) · os resultados da ativação neutrônica e a comparação com a Dow Chemical · National Capital Area SkepticsScientific Study of Unidentified Flying Objects, Case 4: Magnesium Fragment (“Greenwich +3, Fall 1957”)Roy Craig · Universidade do Colorado, 1968 (Bantam, 1969, pp. 391–396) · com a análise da Dow de 1951 do magnésio de oito sublimações e o relatório de microssonda de D. R. Beaman · Sign Historical Group, Project 1947Statement of Dr. James A. Harder, Symposium on Unidentified Flying Objects, House Committee on Science and Astronautics, July 29, 1968US Government Printing Office, 1968 · Harder apresenta o magnésio de Ubatuba ao Congresso · Sign Historical Group, Project 1947Symposium on Unidentified Flying Objects: General DiscussionComitê de Ciência e Astronáutica da Câmara dos Representantes, 29 de julho de 1968 · Robert Baker e Carl Sagan questionam Harder sobre o magnésio · Sign Historical Group, Project 1947The Search for Physical Evidence, Part 3: The Ubatuba MagnesiumJohn Harney · Merseyside UFO Bulletin, vol. 4, n.º 2, junho de 1971 · Internet ArchiveUbatuba Magnesium: UFO Fragments?A. R. Pace · Journal of Transient Aerial Phenomena (BUFORA), vol. 1, n.º 2, março de 1980, pp. 41–42 · com a crítica de Sheffield de 1971 a Walker e Johnson e os resultados do MIT de 1979 · Internet ArchiveUbatuba (Brazil) IncidentWalter W. Walker · em Ronald D. Story (org.), The Encyclopedia of UFOs, Doubleday, 1980, pp. 374–375 · NICAPCoral Lorenzen and the Ubatuba UFO FragmentsRobert Barrow · notas de conversas telefônicas com Coral Lorenzen, 6–12 de maio de 1987 · NICAPComposition Analysis of the Brazil MagnesiumPeter A. Sturrock · Journal of Scientific Exploration, vol. 15, n.º 1, 2001, pp. 69–95 · toda a cadeia de custódia, as análises de laboratório de 1997 e os resultados isotópicos · NICAP (cópia em HTML)On Events Possibly Related to the “Brazil Magnesium”Pierre Kaufmann e Peter A. Sturrock · Journal of Scientific Exploration, vol. 18, n.º 2, 2004, pp. 283–291 · as investigações em Ubatuba de 1982–1990 · Internet Archive Wayback MachineIsotope Ratios and Chemical Analysis of the 1957 Brazilian Ubatuba FragmentRobert M. Powell, Michael D. Swords, Mark Rodeghier e Phyllis Budinger · Journal of Scientific Exploration, vol. 36, n.º 1, primavera de 2022, pp. 39–48 · CC BY-NCAnalysis of the “Ubatuba” Material by Robert PowellScientific Coalition for UAP Studies · YouTube, maio de 2020UFO explosion fragments from Ubatuba, Brazil | Garry Nolan and Lex FridmanLex Clips · YouTube, fevereiro de 2022A Catalogue of Reported Fragments and Residues Associated with UAP, version 2.3Keith Basterfield · novembro de 2018 · verbete sobre Ubatuba, com o trabalho isotópico de Jacques Vallée de 2016–2018 sobre dois espécimes argentinos · Project 1947Inventory of Material from the Files of the Late Dr. Olavos T. FontesSign Historical Group · o dossiê Ubatuba: correspondência da Dow, do Internal Revenue Service e do Colorado de 1961–1970, cartas de Sturrock de 1977–1978 · Project 1947The Midland Fireball: Dow Chemical’s Early Involvement with UFOsJoel Carpenter · Project 1947 · com a lembrança de Roy Craig de que a Dow já examinara as amostras de Ubatuba antes de 1968Uma explosão em UbatubaThiago Luiz Ticchetti · Revista UFO, 1º de abril de 2007 · versão em português com a cadeia dos laboratórios brasileiros e o veredicto de Walter BühlerDisco voador explode em praia do Litoral e EUA está investigando o casoJeferson Marques · Diário do Litoral, Santos, 29 de dezembro de 2022 · a versão que situa a explosão na Praia das Toninhas em 7 de setembro de 1957The Ubatuba, Brazil, UFO explosion, 1957Patrick Gross · UFOs at Close SightIbrahim Sued e o novo colunismo socialMemória Roberto Marinho, Grupo Globo · 23 de setembro de 2022 · a carreira de Sued, da fotografia de Eisenhower de 1946 à coluna que começou em 18 de agosto de 1954Ibrahim Sued morre no Rio aos 72 anosFernanda da Escóssia · Folha de S.Paulo, 2 de outubro de 1995Acidentes aéreos no Brasil, 1957: Real Aerovias DC-3 PP-ANX, Ilha Anchieta, 10 de abril de 1957Desastres Aéreos · o voo Rio–São Paulo que se chocou contra o Pico do Papagaio, na Ilha Anchieta, com 26 mortos e quatro sobreviventesSinopse Estatística do Município de UbatubaInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Rio de Janeiro, 1948 · o censo de 1940 e as coordenadas e a área do município · Biblioteca IBGE (PDF)Ubatuba, São Paulo: histórico e formação administrativaInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística · ficha de histórico municipal (PDF)UbatubaWikipédia, a enciclopédia livre · população por censo, a condição de estância balneária desde 1948, o presídio da Ilha Anchieta (1908–1955) e a rodovia Rio–SantosA Rodovia Oswaldo CruzCuriosidades de Ubatuba · a estrada Taubaté–Ubatuba pela Serra do Mar, aberta em 1933 e asfaltada só em 1969UFOs: A History, 1957: August–September, Supplemental NotesLoren E. Gross · Fremont, Califórnia, 2003 · as pp. 21–23 reproduzem o recorte de O Globo de 14 de setembro de 1957 e o boletim do Laboratório da Produção Mineral de 24 de setembro de 1957, dos próprios arquivos de Fontes · Sign Oral History Project (PDF)Olavo Teixeira Fontes (in memoriam)Biografia dos Ufólogos Brasileiros, SOCEX · 9 de abril de 2006O magnésio de UbatubaJohn Harney, em tradução · Ceticismo Aberto, 31 de janeiro de 2002 · a edição em português do artigo de 1971 no Merseyside UFO BulletinUFOs? Yes! Where the Condon Committee Went WrongDavid R. Saunders e R. Roger Harkins · Signet, 1968 · capítulo sobre o magnésio de Ubatuba · Internet Archive (biblioteca de empréstimo)The Ubatuba Magnesium and the Isotope RatioPaul R. Hill · Unconventional Flying Objects: A Scientific Analysis, Hampton Roads, 1995, seção XVI · via Wayback Machine

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